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quinta-feira

Relatos selvagens

Nesses tempos leitosos, às vezes líquidos, pastosos, outras, quase nada tem o poder de nos surpreender - nem mesmo a morte. Uma das poucas coisas ainda incompreensíveis porque inesperada e resultante de cegueira mental, é a ignorância aliada à hipocrisia ou à selvageria.
Veja: O deputado federal Laerte Bessa (PR-DF) é o relator da PEC da redução da maioridade penal, certo? Dada a importância do tema, que envolve vida e morte, liberdade e prisão, o mínimo que se exige do parlamentar com tamanha responsabilidade é equilíbrio, bom senso e um mínimo de inteligência, correto?
Pois não é que, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o intimorato legislador tornou público em nível mundial um dos maiores disparates contemporâneos, similar às atrocidades defendidas e operacionalizadas pelo criminoso nazista Josef Mengele? Bessa teve o descaramento de profetizar que, no futuro, será possível realizar abortos de crianças em gestação com tendências à criminalidade.
Não, o amigo e a amiga não leram errado. Tampouco o colunista se equivocou, embora engasgado e apatetado com tanta sandice. De onde o deputado tirou a conclusão, com que autoridade e baseado em qual fato ou pesquisa ele disse este absurdo? Não faço a mínima ideia.
 Confira ao pé da letra a declaração do aloprado: "Um dia, chegaremos a um estágio em que será possível determinar se um bebê, ainda no útero, tem tendências à criminalidade, e se sim, a mãe não terá permissão para dar à luz". É possível e crível que o responsável por determinar os rumos das discussões sobre a maioridade penal possa ter soltado esta asneira?
 É. Infelizmente. Na entrevista ele ressalta, o Brasil pode diminuir ainda mais a maioridade penal para crimes hediondos. "Em 20 anos, reduziremos para 14, depois para 12 anos", previu. Casos de estupro, sequestro, latrocínio, homicídio qualificado, considerados crimes hediondos, estão previstos no projeto. Se aprovado nas demais instâncias, também será aplicado em casos como homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.
 Bessa elogiou a aprovação da redução da maioridade por seus colegas na Câmara. A PEC foi assentida em primeiro turno na Câmara, após "jogada" do presidente Eduardo Cunha. Ainda não se tem notícia da repercussão mundial da bobagem monumental proferida por - não esqueça este nome - Laerte Bessa.
Maracugina
Maior construtora do Brasil, a Odebrecht tem negócios - alguns considerados escusos - em vários países. Encurralada pela Justiça, a empresa e seu presidente, Marcelo, estão definitivamente enrolados com corrupção na Petrobras - e não só. Resta saber se Emílio Odebrecht, patriarca do grupo, irá cumprir a promessa "de derrubar a República", botando a boca no megafone. Haja sonífero e Maracugina para uns e outros.
Fio da meada
Relações perigosas do ex-presidente Lula da Silva com a Odebrecht são evidentes e mostram "parceria" além do legal. Há indícios - a Justiça dos Estados Unidos já entrou na parada - de malfeitos nos negócios da empresa também no exterior, alguns intermediados ou "facilitados" no governo Lula. A verdade está vindo à tona.
Aplauso
Presidente Dilma Rousseff vetou projeto aprovado pelo Congresso, concedendo reajuste de 78% aos servidores do Judiciário. A decisão é coerente, na medida em que setores privados amargam desemprego e achatamento de salários. Sem falar no impacto de R$ 25 bilhões nos próximos quatro anos nas combalidas contas do governo.
Vaia
Dilma Rousseff rasgou mais uma promessa de campanha. Ao contrário do que afirmou "no calor do debate político" em 2014, cortou recursos destinados à construção de creches. Municípios que contavam com verbas vão ficar de pires na mão. A "Pátria Educadora" - ninguém contesta - não passa de uma frase de efeito. É mico histórico.
Piada
Presidente garantiu, o governo tem por objetivo consolidar a expansão da classe média, com a volta do crescimento econômico. Dona Dilma se esqueceu de mencionar, mesmo de passagem, que, a continuar nessa batida, em breve não sobrará quase ninguém da classe média. Ela deveria pensar nos pobres. Do passado, presente e futuro.
Gatilho
Justificativas referentes às "pedaladas fiscais" do governo Dilma em 2014 foram entregues ao Tribunal de Contas da União. O relator do processo, ministro Augusto Nardes, quer urgência na análise dos documentos por parte da área técnica do TCU. Ex-deputado federal do PP gaúcho, Nardes está com o dedo no gatilho...

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Um comentário:

Andrea Pérez Ulloa disse...

Acho Leonardo Sbaraglia multifacetada e tem uma excelente carreira. Eu aprendi que fez a série de televisão chamado O Hipnotizador, eu vi o primeiro capítulo e me pegou, eu não posso parar de assistir.