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domingo

"Uma esmola pelo amor de Deus".






Estava sentado ná área de minha casa tomando meu cos-

tumeiro chimarrão, quando um vizinho adolescente entrou

no carro de seu pai e colocou um CD do grupo Skank e aumentou o volume tanto que muitos outros vizinhos também ouviram o referido grupo, mesmo sem querer. Mas o que me chamou atenção foi a letra da música "Esmola" onde o grupo faz um protesto: "Tô cansado de dar esmola". Até parece engraçado usar este tema para uma música. Mas acho que já faz parte da sensibilidade do artista perceber e expressar a realidade do dia-a-dia.


E quem não percebe que a família de esmoleiros cresce de forma assustadora. Não existe semáforo, praça ou esquina, das médias e grandes cidades deste país, sem alguém para pedir
esmola. "Uma esmola pro ceguinho, pro menino, pro desempregado, pro preto, pro doente, pro
idoso sem remédio, pro mendigo, pro indigente"...

Seria até interessante a gente discutir se deve ou não dar esmola. Ela é necessária, ela resolve o problema?... O que fazer? Confesso que a letra desta música ficou "martelando" minha cabeça.

Mas como alerta a música, não podemos esconder esta realidade de quem pede esmolas, e para
a gente refletir como achar uma saída para esta dura realidade , precisamos cantá-la, escrevê-la,
debatê-la, porque temos uma extraordinária capacidade de nos acostumar com essas idignidades, e achar que é tudo normal, o que é terrível.

É terrível também nos darmos conta de que atrás de cada menino pedinte, atrás de cada mendigo, existe uma pessoa humana, cada um é gente como a gente. Que sonho será que tem uma criança que depende só da "caridade" dos outros? sobre isso, lí um artigo onde um menino
que foi entrevistado por uma Ong que trabalha com menores carentes na Bahia, onde declarou:
"Eu queria um semáfaro só para mim".

A sociedade é nossa; ela é toda nossa. Não só de coisas boas. Se existe esta realidade é porque alguém a criou assim. Não é próprio da natureza tirar o pão de alguns para oferecer o supérfluo
para outros. "É a quota miserável da avareza do ser humano".

Se o país não for pra cada um, poder estar certos, não vai ser para nenhum. Por quê 10% de
brasileiros têm a metade do Brasil? Enquanto não deitribuirmos melhor a nossa renda, teremos
garantidos cada vez mais esmoleiros, doentes, desempregados, prostitutas e mais...

Quando escutei a música do grupo Skank procurei o ano em que foi composta e encontrei registros de 1996. Pensem quantos anos faz isso e o que mudou em mais de uma década de
aumento da miséria neste país? Tenho certeza que não devemos ter medo de nos indignarmos com esta crescente realidade.

Nossa indiferença não mudará nada. Ongs, Criança Esperança,
Unicef, políticos mentirosos que vivem só de promessas, nos enganando em ano eleitoral devem
passar pela nossa avaliação o tempo todo. E isso não é papo só pra eles, é papo e ações de cada um de nós, é coisa para quem tem amor pela vida e visão do bem comum.










2 comentários:

André disse...

sabado quase dei uma porrada num menino de rua - to mal de grana e consegui algum para fazer um lanche com minha mulher num trailler em pelotas - tio: me da um pedacinho do teu lanche!!! doi caralho. eu luto a vida inteira para acabar com isso e vejo um bando de canalhas no governo fugindo de suas responsabilidades...nao gosto de falar nisso...queria resolver. abraços e trabalho reflexivo.

blogdocatarino.com disse...

Muitas vezes por trás dos meninos pedintes há um adulto esperando. É um abuso e se dermos esmolas vai alimentar esta indústria ainda mais. É preciso dar escolas e saúde para que as pessoas possam progredir e sair dessa situação.