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sábado

A servidão ao longo da história do mundo


O sofrimento da sociedade se deve a má administração dos negócios públicos

Servidão feudal ou ao estado, qual a pior leitor? Pensando bem, ambas são negativas, ruins, contudo, a condição de serva do estado, com a liberdade de expressão atual é mais tolerável. Acontece que, caso a sociedade não fique sempre atenta, num cochilão, pode ser usurpada dos brasileiros. O ex-presidente Lula vivia implicado com ela, queria censurá-la, contudo, nada conseguiu, mas, como discorria acima, com a liberdade de expressão que temos bastante saudáveis, é preferível à servidão da era feudalista. Essa situação a que chegou a sociedade, sem querer querendo, veio, imperceptivelmente, por falta de cultura política.
Entretanto, a culpa, falta de cultura política de nossa gente, está consubstanciada à sucessiva geração de governantes, desde o Império aos de agora, três décadas de gestores públicos eleitos pelo voto secreto, todavia, mascarado pelo baixo nível cultural, prossegue subserviente, leniente, decadente, ao passo que deveria ser, há muito, consciente, sapiente, independente, sublimado de altivez, pois, assim sendo, tornar-se-ia um tônico substancioso para revigorar a saúde da democracia, na atual conjuntura, um tanto enferma. Em virtude desse estado lastimável considero a crítica libertária vital, porquanto, o propósito é o de despertar, de fato, o povo, comunidade, sobre a situação a que chegou, de serva do estado, em termos mais contundentes, virtual burra de carga do estado papão, ao mesmo tempo, burra de carroça dos governantes, ocupantes do poder público.
No processo eleitoreiro atual, leitores, raros são os que se candidatam para servir à pátria, promover o bem-estar da comunidade, a maioria, grande maioria, busca atender, seus interesses pessoais, calcados na paixão, egoísmo, enquanto que, na esfera pública, deve prevalecer à razão, razão cavalgando a paixão. O negócio começa com as campanhas nababescas financiadas por empresas privadas, com a providencial proibição, pelo STF, desses donativos, terão que contentar com o fundo partidário, fundo este, de repente bilionário com a verba pública da propaganda gratuita.
Vale a pena apostar tudo leitor, na eleição, pois, além dos proventos de príncipe, príncipe invejável, agrega-se por natureza, as mordomias, demais, verbas e mais verbas, para manter em torno de si, um grande número de funcionários. Os privilégios não param aí, senão atente para o recente Mensalão e atual Petrolão, aprofundando as investigações é possível que todos congressistas tenham sido contemplados, mamaram nas tetas generosas da Petrobras. A má administração dos negócios públicos acabou descambando na atual crise econômica, na qual a sociedade contribuinte, sem nenhum protesto, por falta de politização, acaba pagando a conta. A crítica, não há como ignora-la, é dirigida aos que estão no poder, toda sua patota, fossem outros os ocupantes, estariam de igual forma, ludibriando a sociedade contribuinte, praticando os mesmos desatinos.
Por isto, além do controle público que começa a funcionar, a sociedade, para solapar a república do faz de conta, faustoso bem-estar deles, contratados pelo voto, libertar-se da condição de sua virtual burra de carroça, terá, imperativamente, que sair da inação para a ação, arregaçar as mangas, mobilizando as instituições classistas, para o exercício do controle externo, aquele feito pelo o Ministério Público, Tribunal de Contas, STF, este, a carecer de organização, constituído pelos contribuintes de impostos, tendo a imprensa como maior aliada e, a princípio, as instituições classistas. Porém, cada município deve ser instado a organizar sua entidade cívica de controle da gestão pública, propugnando por parcimônia, transparência, na arte de governar o município, poder de analisar contas e aplicar sanções, se necessária. Em assembleia, pelo menos uma por ano, indicar representantes, legitimados pelo voto, a outra assembléia, no âmbito estadual, de igual forma, a assembleia estadual, indica representantes a uma assembléia nacional, com idêntico propósito e poder legal.
Controle interno de um lado: esfera pública, controle externo do outro: esfera civil, ambos cônscios de seus deveres cívicos e legais, atuantes, vigilantes passarão a ocupar o espaço vazio de vigilância, onde, atualmente, pululam corruptos e corruptores. A luz da parcimônia, transparência de ambos os controles: público e privado, de forma ordeira, legal, passarão a escorraçar varrer as trevas, onde medra como erva daninha, a corrupção, colocando farofa no ventilador daquele dueto, ora, reinante nos bastidores da esfera pública, entre corruptos: eu de cá, você de lá, as tuas mutretas não vou conta, que é, também, para você não me dedura.
A delação premiada começou a aluir os pilares do dueto, em voga, o sistema de controle cruzado: ambos lados, uma vez institucionalizado, fará, como o Iluminismo fez, ao destronar o rei, figura divina, a dissolução da subcultura corruptora reinante, nas esferas públicas dos municípios, estados e país. O olho do dono é que engorda o boi, um dito popular realístico, não há como pensar em gestão pública honesta, sem o olho do contribuinte de impostos, por isso, vem pagando tributos de primeiro mundo, a nossa carga tributária é quase igual a da Alemanha, país de primeiríssimo mundo, veja lá, o grau de conforto de seu povo e a ajuda que vem prestando aos países da comunidade européia, em especial, Grécia, e aos refugiados da ditadura imperante na Síria.
Em nosso caso, o estado montou uma estrutura arrecadadora próxima da excelência, merece aplauso, todavia, na hora de aplicar os tributos arrecadados, o faz da forma mais perdulária possível, na gíria, de forma porca. Em consequência disso, instituído, para servir a sociedade, usurpou essa prerrogativa de servo, tornando-a sua serva, mais do que serva, sua burra de carga, burra de carroça, como dito acima, dos governantes, em sua quase totalidade, corruptos e corruptores. Em meio a toda a trama diabólica dos inimigos da democracia, de forma diferente da Síria, Cuba, ditaduras em ruína, temos a liberdade de expressão, de pensamento, direito de ir e vir, a imprensa como nossa maior aliada, com sua participação vigorosa, na apuração de toda sorte de processos nocivos ao erário público.
Pegando carona com essa aura, a nação, fundada em Spinoza e Kant, está a carecer de um freio para frear a vontade egoística da atual geração de governantes, induzindo-os a abraçar a vontade universal, acessível e aceitável por cada um e válida para todos. Esse freio pode ser efetivado, materializado, pelo sistema de controle interno e externo, conjugados e atuantes, atuantes mesmo, afugentando as trevas da má gestão, com a luz da transparência administrativa na esfera pública, mostrando, de dedo em riste (controle), a luz no final do túnel.
Couberam as gerações dos tempos idos, Bandeiras e Bandeirantes, promover a nossa grandeza horizontal, estendendo nossas fronteiras do arroio Chuí, ao Oiapoque, divisa com as Guianas, do Atlântico aos contrafortes dos Andes, tornando nosso país gigante pela própria natureza, no plano horizontal, como se canta no hino nacional. Como dívida de gratidão às gerações dos tempos idos, cabe a geração atual e do amanhã, promoverem, agora, a nossa grandeza vertical, que é a construção, como reza o lado bom da política, do progresso e bem-estar de todos brasileiros, libertando-os das garras das aves de rapina enquistadas no poder público. Promovendo sua emancipação, não pela política de pão e circo atual, como fazia os imperadores Romanos, mas sim, pelo trabalho produtivo – eleito de Deus – na vida econômica da Nação, Rememorando ensinamento milenar de Lao-Tsé: Se você der um peixe a uma pessoa, ela se alimentará, por um só dia, e acabará morrendo de fome, mas se você ensina-la a pescar, financiando-lhe a vara, ela se alimentará por toda a vida.
Dessa forma, os governantes terão que substituir o paternalismo, capacitando as famílias de baixa renda, a ganhar o pão de cada dia, com o suor do próprio rosto, trabalho calcado na produtividade, o danado é que, o primeiro rende votos, o segundo, na dica de nada, mas o controle constitui a salvaguarda, para solapar a servidão ao estado, fazendo-o, como foi instituído a priori, servo da sociedade mantenedora, sua razão de ser….
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sexta-feira

Falta motivação ao Ensino Médio


A valorização do trabalho cooperativo na busca do ensino de qualidade

Depois de 20 anos de implantação da Lei nº 9394/96, o sistema nacional de educação se apresta para colocar em funcionamento a Base  Nacional Comum para o Currículo(BNC), possivelmente uma forma de motivar adequadamente o nosso alunado. Metade dos jovens de 15 a 17 anos, em nosso país, está fora da escola por absoluto desinteresse.  Os livros oferecidos pelo Poder Público devem conter o máximo de transparência, a fim de tentar reverter esse quadro.
Nos últimos 14 anos, o Brasil perdeu 360 mil matrículas no ensino médio. A queda se deve, entre outras razões, ao envelhecimento da população em idade escolar, o que deve-se repetir nos próximos anos.
O atual ensino médio não agrada aos estudantes nem serve ao povo, para repetir o que dizia Lourenço Filho. Com a implantação da BNC, a partir de 2016, o MEC irá sugerir 60% de conteúdo fixo, ficando os outros 40% por conta de estados e municípios.  Assim se poderá modernizar o ensino médio, com um currículo flexível. Os alunos escolherão o que estudar, com uma oferta que levará em conta características regionais e até mesmo possibilidades do mercado de trabalho. Haverá maior coerência  nos estudos.
Para assegurar efetividade, é essencial que os professores sejam mais bem formados e que recebam, em contrapartida, uma remuneração  compatível com o relevo da sua missão. Esse é um aspecto fundamental.
Temos 507 mil docentes no ensino médio. Cerca de 40% desse total irão se aposentar nos próximos seis anos, agravando o tamanho da crise.  Faltam professores de Matemática, Física, Química e Biologia. A Resolução nº 2/2005, do Conselho Nacional de Educação, procura corrigir as deficiências das licenciaturas, mas não prevê a formação de professores para o ensino técnico, como se ele não existisse. É uma grande deficiência que precisa ser corrigida, assim como a construção de bibliotecas e laboratórios.
O salário médio do professor brasileiro representa pouco mais da metade do salário de ingresso na carreira na União Europeia e pouco menos da metade da remuneração inicial nos Estados Unidos.  É uma defasagem muito grande.
Um  acordo com o Sistema “S” está sendo costurado, a fim de alavancar o Pronatec. Prevê-se que em 2016 entidades como o Senai, o Senac, o Sesi e o Sesc deverão contribuir com 25% dos seus recursos, o que dá  cerca de 5 bilhões de reais, para oferecer serviços como o Pronatec e o Ciência sem  Fronteiras, que hoje conta com 32 mil estudantes brasileiros nas melhores universidades do mundo.
Essa parceria poderia ensejar habilidades e competências aos alunos segundo suas escolhas pessoais. Dessa escolha deve fazer parte também o sistema intitulado Cefet, de grande prestígio nacional.
Para tornar tudo mais efetivo, deve-se abandonar no currículo o superado sistema de matérias, valorizando-se o trabalho cooperativo, em ciclos, um dos quais  poderia ser destinado ao ensino profissional. Assim chegaremos ao ensino de qualidade, de que andamos tão necessitados.
Vale uma referência ao Enem, que hoje galvaniza o interesse de 8 milhões de jovens.  É uma avaliação muito bem-sucedida, que substituiu o ultrapassado sistema de vestibulares. Temos também a esperança de que a educação à distância seja também de extrema utilidade no ensino médio brasileiro.
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Ainda sobre o preconceito de cor nas cotas raciais

O dever do Estado é manter as regras constitucionais, fazer com que elas são cumpridas

Quando foi editada a Constituição Federal de 1988, o constituinte, logo no artigo 3º, teve o cuidado de preservar os direitos sociais e deixar expresso que os objetivos fundamentais daquela reforma constitucional, entre outros, era o de construir uma sociedade livre, justa, solidária e promover o bem de todos, sem preconceito de origem, ou de raça, cor e outras formas de discriminação de pessoas.
Já, no artigo 5º ficou prescrito um importante e que tornou o mais badalado e conhecido texto da Constituição, onde diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Deixou estabelecido também que não será tolerável a prática de racismo e que ato desta natureza constitui crime inafiançável. Aliás, segundo os dados históricos, este é um mau costume que já existe aqui no Brasil desde a antiguidade.
Mas, mesmo depois que foi estabelecido a regra constitucional, implantando, definitivamente no País a igualdade social, sem distinção de qualquer espécie, ainda assim, o próprio Estado Brasileiro, através de simples lei ordinária e específica, estabeleceu diferenciação entre as pessoas de raças, com a implantação de quotas, com número limitado de estudantes de cor negra para ingressarem nas universidades e de pessoas com os mesmos caracteres somáticos para participarem de concursos públicos.
Enquanto que, como é por demais sabido, o dever do Estado é manter as regras constitucionais, fazer com que elas são cumpridas e não modificá-las por meios inadequados, como ocorreu. O mais estranho e inexplicável ainda é que, em julgamento de Ação de Inconstitucionalidade proposta contra tais medidas, os membros que compõem a Corte Suprema de Justiça  entenderam que, por se tratar de medida de caráter transitório, não constitui ofensa ao princípio constitucional.
Mesmo depois da divulgação do entendimento do STF, ainda assim, continuo discordando das tais cotas raciais e com o mesmo entendimento jurídico já expressado anteriormente em outros artigos, pois a referida decisão não alterou o meu ponto de vista, segundo o qual as tais medidas ferem o princípio de igualdade editado na Constituição Federal. Por isso, sigo com o mesmo raciocínio e convicto de que a  limitação do número de pessoas de cor negra para que elas possam exercer os seus direitos fere os princípios editados na Carta Magna e, com isso, elas  deixam de ser “iguais perante a lei”.
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quinta-feira

Educar para a solidariedade

Um sentimento que deve ser incorporado no cotidiano

Na manhã do dia 24 de janeiro de 2016, domingo, diante de uma multidão de fieis presentes na Praça do Vaticano, o atual líder da Igreja Católica partilhou um verdadeiro presente com todos os presentes: “Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho com a Palavra e, primeiramente, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de todos os seus membros”. E continuou com fervor: “Observa-se que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás, privilegia os que estão distantes, os sofredores, os doentes, os descartados pela sociedade”.
Tais afirmações do Papa de nome Francisco (assim chamado para se assemelhar ao outro Francisco, o de Assis) veio perfeitamente ao encontro do término de uma importante atividade promovida pela Instituição Marista nesse primeiro mês do ano: a Missão Solidária Marista (MSM). Existente desde 1985, a MSM tem por objetivo a educação para a solidariedade, na perspectiva do aprendizado recíproco e dialógico, por meio da imersão em realidades sociais desafiadoras, sobretudo de vulnerabilidade social. Participam jovens Maristas a partir de 16 anos e pertencentes a diversas realidades (alunos e ex-alunos de colégios particulares, unidades sociais e universidade).
Neste ano a MSM aconteceu simultaneamente em quatro localidades: Caçador (SC), Curitiba – Bairro Fazendinha (PR), Paiçandu (PR) e São Paulo – Itaquera (SP). Ao todo, estima-se a participação de aproximadamente 450 pessoas, dentre jovens, colaboradores e Irmãos Maristas. Ademais (e de difícil mensuração), houve também a presença mais que significativa dos moradores e familiares das regiões escolhidas para a missão, uma vez que ela nada mais é que uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que almeja estimular o olhar crítico e a espiritualidade sociotransformadora dos jovens participantes, a missão também busca provocar o sentimento de união da comunidade, para que deem continuidade às ações realizadas e busquem lutar pela garantia de seus direitos junto ao poder público.
E por falar em ações, elas são estabelecidas anteriormente, mediante diálogo entre equipe de coordenação e líderes comunitários, a fim de que façam sentido às pessoas que ali vivem. De maneira geral, as atividades de uma MSM são: visitas missionárias às casas dos moradores do bairros, a fim de missionários e familiares partilharem a vida; oficinas socioeducativas com crianças, adolescentes e jovens; revitalização de algum espaço comunitário, como forma de retribuição à comunidade por acolherem a MSM; além de momentos de espiritualidade e de formação, com o enfoque na discussão referente a análise de conjuntura, políticas públicas e sistema de garantia de direitos. Todas as ações alinhadas ao que foi solicitado pelo próprio Papa Francisco: “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG, 20).
O grande desejo do Grupo Marista com a promoção de uma atividade como essa é a de que esse participante, ao retornar a sua realidade, incorpore cada vez mais a solidariedade em seu cotidiano: seja por meio de mudanças de comportamento; no refletir do projeto de vida; na capacitação de um profissional humanizado; no engajamento em organizações não governamentais; no envolvimento com movimentos sociais ou, até mesmo, em outros projetos de voluntariado espalhados pelo mundo. 
Espera-se também a reflexão crítica que o permita indagar-se sobre alguns porquês, como, por exemplo, dos mecanismos existentes que geram pobreza ou desigualdade. E de como combatê-los. Ou, ainda, a principal de todas as indagações: “até quando necessitaremos de projetos para tornarmos a solidariedade algo comum em nossa realidade? Será que um dia a solidariedade será tão encarnada que nem mesmo a pobreza existirá?”. Resta acompanhar essa importante educação para a solidariedade!
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quarta-feira

Onde está a sombra de minha luz?


A luz que ilumina a nossa vida, pode não ter sombra e nem refletir-se na parede

Não é de hoje que fico encabulado quando vejo a inexistência de sombra da luz. Desde menino era curioso quando via a luz de uma vela não se refletir na parede, mas hoje, que já passei da idade dos contrários, chegando à idade do complementar, assim como, de entender essas coisas e olhá-las de outro modo é que, momentaneamente, comecei a lembrar dos tempos idos quando via alguém acender uma vela ou lamparina.
Olhava rumo à parede para constatar se a sombra da luz nela se refletia, mas nada acontecia deixando-me confuso. Recordei que aquela pessoa dizia algo contrário ao que eu pensava, no entanto, já era capaz de entender aquele contrário como complementar e ver crescer em mim consciência e compreensão, além da razão da não existência de sombra da luz.
Todavia, hoje, sei que ao invés de rejeitar ou negar alguns elementos obscuros, ainda desconhecidos por mim, sou capaz de acolhê-los porque só assim tornar-me-ei mais inteiro.
Nem é questionável ir por outros caminhos, pois sabemos que é a sombra que dá relevo à luz. Acenda-se uma pequena vela num quarto escuro e verás. Quanto maior a vela, maior é o relevo. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos, relevantes ou não. É fácil amar os defeitos de nossos de nossos filhos, netos ou entes queridos. O difícil é amar os defeitos de estranhos, principalmente se adultos.
A luz do amor não tem sombra a não ser que você o construa de outra maneira e o faça ser diferente. Dar a ela um enorme alicerce e o direito de experimentar de sua sombra a liberdade, isso seria bom, assim como, de experimentar a capacidade de amar o que é amável e de amar também, o que não é amável, porque essa luz pode estar sendo refletida na parede de sua vida. Dessa maneira passará de uma vida submissa para uma vida escolhida.
A luz que ilumina a nossa vida, pode não ter sombra e nem refletir-se na parede, mas vale pelo olhar benevolente que pomos sobre nela. Por exemplo: O olhar sisudo de um chefe nos enche de culpa, mas dependendo da sua decisão em relação a nós, podemos receber dele esse olhar benevolente, misericordioso e ao mesmo tempo, justo.
 Não precisamos de sombras, mas de luz sim, assim como, precisamos também desse olhar justo, porque todos nós temos necessidade de sentir esta luz verdadeira e de sermos amados. Por vezes, alguns olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a luz que tanto procuramos que pode até serem sombreados, mas verdadeiros.
Existem olhares que se colocam sobre nós que são plenos de verdade e justiça, mas sombreados, faltam-lhes a luz, a misericórdia e o amor. Existe um olhar integral do qual temos necessidade de nos enxergarmos tal e qual somos, porque a inexistência de luz é uma verdade sem amor, é inquisição, e o amor sem verdade, é permissividade.
Quando intitulei esta crônica: “Onde está a sombra de minha luz”, o fiz com o propósito de abrir uma discussão, pois a luz pode ser você sendo refletido na parede e cada um que a ler, poderá formatar sua luz e entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida, em primeiro plano, a luz, ou alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela.
Eu acredito que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas dessa luz com o poder de refletir-se ou do tal olhar iluminado pousando sobre nós.
Com essa reflexão podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo,  nossos desejos e medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência acoplada com nossos conhecimentos e nossas ignorâncias. Sob este olhar sem sombras, a nossa vida pode crescer e nos indicar onde está a sombra de nossa luz.
Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona diante de gestos que se refletem na parede, faz-nos ficar inertes, enquanto que o outro olhar nos impulsiona, diante das imagens, a dar um passo adiante e saber o que os outros têm de nós
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BBB: triste retrato de um País subdesenvolvido?


O Brasil de grandes debates sociológicos e antropológicos.

O programa é importado na sua origem e faz sucesso, deixando os telespectadores em pânico ou contaminados pela alegria, surpresa, fofocas, brigas, fazendo do vídeo a janela da convivência em grupo diário.
Mas haveria algum conteúdo prático, algum aproveitamento nas discussões diárias, mesmo que o prêmio da convivência numa casa isolada seja um milhão (ou mais) de reais em dinheiro, sobretudo em época de crise econômica? Muitos membros da casa depois são conhecidos nas ruas e exibem o currículo de “ex-BBB”.
Qual a lição que fica de cada cena, discussão e com o paredão da exclusão? O Grande Irmão levanta questões e fontes de reprovação. Somente as pessoas que participam do reality show ou tem amigos ou parentes envolvidos podem ganhar alguma coisa, segundo a minha opinião. Nada tenho contra a  Rede Globo, até sou um fã de suas novelas, principalmente a consagrada depois do telejornal.
O personagem do senhor Gibson vivido pelo ator José de Abreu, faria Hitler ficar com inveja social, mas a novela conserva bons momentos e discussões. Já o  popular e banal “BBB” não deixam aprendizados, vantagens culturais ou reflexões positivas. Alguém já disse que se você pegar um pedaço de pau e mostrá-lo todos os dias na televisão ele acaba se tornando um ídolo.
Assim é a contaminação cultural do BBB, sobretudo num país em desenvolvimento e não subdesenvolvido, como alguns apregoam.
O apresentador Pedro Bial é um jornalista competente e um poeta nato, mas faz o seu trabalho apenas pelo valor do dinheiro, já que vivemos num regime capitalista. O que teria o jeito de ser do apresentador com as biografias e comportamentos dos membros do programa televisivo? Creio que nada.
Sabemos em tese que as pessoas fazem muitos trabalhos que nada têm a ver com sua conduta, personalidade, formação.  O Brasil é rico por suas praias, natureza, paixão pelo futebol, celebração do carnaval e dom de seu povo acolhedor.
 Mas um programa onde todos se estudam e se condenam num paredão semanal não valoriza a arte brasileira. A televisão não deve ser usada como mero penico cultural, jogando fora o que não tem essência, valor, brilho próprio. Brigas de vizinhos ou brigas de famílias são cenas comuns na rotina de um povo ou nação.
 Não é necessário a exacerbada exposição no vídeo dos conflitos com diálogos cheios de gírias e até corpos com excesso de tecido adiposo. O Brasil é rico em artistas, jogadores de futebol e homens e mulheres de grandes talentos.
Seria o “BBB, Big Brother Brasil” a vergonha familiar com audiência em horário nobre?
Em tese não  seria bem mais útil cultivar o hábito de ler um bom livro ou mesmo conversar com os amigos na frente da casa, mesmo correndo o risco de ser assaltado? A televisão é o eletrodoméstico mais popular deste imenso país tropical, e há tantos outros motivos e programas para serem exibidos.
 Gosto é um ângulo que não se discute, apenas se lamenta,  haveria tantas comadres para dar uma espiadinha na fofoca da telinha? Cobramos muitas atitudes dos políticos, contudo em alguns casos agimos bem pior que eles, sem critérios, bom gosto, setas positivas. Triste Brasil de grandes debates sociológicos e antropológicos, muitas vezes acomodado numa imagem que rouba nossa paciência.
A novela é uma trama bem feita, mas o “BBB” é o depósito das baixarias e contrastes humanos. O homem é um ser competidor, embora cada país tenha  a competição que mereça.
Tudo que é jogado em larga escala, com ou sem estética e conteúdo ganha o destaque medido em forma de audiência. O Brasil de Cora Cora Coralina, Fátima Leão, Gilberto Freire, Glauber Rocha, Chico Anísio, Jorge Amado, Paulo Coelho, Carmo Bernardes não é o mesmo Brasil das cenas teleguiadas pela Internet e depois mostradas  no vídeo desolador dos diálogos sem contextos.
Nem tudo que é divulgado em larga escala pelo milagre da comunicação deve ser aplaudido, curtido, seguido. O Brasil está em desenvolvimento e “BBB” é panorama de país subdesenvolvido, que tira nota zero na prova de redação do Enem. Os patrocinadores e anunciadores do programa ganham a sua bela fatia na exposição, mas a população não incorpora bons valores assistindo as brigas na casa global. Inclusão social sim, mas excluir as pessoas no paredão institucional, semanal, não vinga o tempo perdido.
O Brasil é bem maior que os personagens expostos numa casa hipotética, “onde vale tudo por dinheiro”. Vale a pena dar uma espiadinha? Creio que não.
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terça-feira

Quem vai cuidar de mim?

Os problemas da velhice desassistida

Fomos dormir num país em 2014 e acordamos noutro em 2015. Não, nós não estamos tão bem quando nos fizeram acreditar. Ainda assim, já andamos muito, desde a Lei Sexagenária, quando os escravos de 60 anos eram largados à própria sorte. 
Em 1888 os funcionários dos Correios tiveram direito a se aposentar. Em 1923 foram criadas as primeiras caixas de aposentadorias e pensões. A aposentadoria para trabalhadores urbanos e rurais se unificou em 1963, surgindo o INPS – Instituto Nacional de Previdência Social, tornado INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social em 1990. 
Quem atingiu a idade ou o tempo de contribuição deverá se aposentar e receber o mesmo de quando estava na ativa. Muitos erros aconteceram junto às fraudes nessa nossa “Pátria mãe tão distraída”, e parte de quem deveria receber está fora e alguns que não deveriam estão dentro. Os recursos arrancados das quatro fontes, patrão, empregado, trabalhador e Governo, se perdem diariamente, e há décadas, faltam verbas para a manutenção do serviço.
O tempo de vida aumentou, o INSS faliu e para equilibrar as contas são necessários quatro trabalhadores contribuindo para cada aposentado e estamos quase com um para um. Foram cortadas algumas aposentadorias anômalas. Muita gente trabalhou na informalidade, sem contribuição, especialmente na área rural. Valores foram desviados da Previdência para outros fins.
 Contas em altas matemáticas são feitas, e a cada dia o aposentado, cujo benefício acima do Salário Mínimo não está atrelado àquele, recebe menos, tendo uma velhice envergonhada. O idoso não consegue cuidar da sua aparência, dar manutenção à sua casa e substituir seus pertences. O padrão de vida encosta-se no chão. 
A idade de se aposentar se eleva a cada dia, por motivos óbvios. Se antes professoras, militares e bancários se aposentavam aos 43 anos, hoje é preciso chegar aos 65 anos para se aposentar. Dependendo da função, trabalhar nessa idade é impossível.
Posso até contribuir para o debate, mas quero mesmo é fazer meu despudorado lamento em praça pública. Sou médica há 36 anos e jornalista há quase seis. Para me formar endocrinologista, estudei um ano inteiro com dedicação exclusiva para a prova do vestibular. Entrei na Famed, hoje Unimontes em 4º lugar. Depois de seis anos de curso, meu currículo foi o 5º entre 44 pessoas (lá havia primeiro lugar, mas não tive competência para atingi-lo). 
Foram três anos de Residência Médica em Belo Horizonte, na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte dia e noite. Com Título de Especialista reconhecido nacionalmente, trabalho em consultório 8 horas por dia desde janeiro de 1984. Houve dias de trabalho dobrado, 16 horas por dia, em plantões atendendo emergências em diabetes na Santa Casa de Caridade de Montes Claros, quase todas via SUS, o que fiz durante dez anos.
Paguei o INSS durante 30 anos, sendo mais da metade do tempo sobre o teto máximo, pois se tornou obrigatório aos médicos. Aposentei-me há três anos e recebo R$ 2.400. Como continuo trabalhando, pago, em valor de hoje, R$ 580 ao INSS, mensalmente. Isso é descontado em uma das minhas três fontes pagadoras, autorizada por mim. Muitas vezes, nesses 36 anos, foram descontados indevidamente a mesma quantidade em outras fontes. Não consegui reaver esses valores.
De cada R$ 100 que ganho, R$ 27,50 vão para o Imposto de Renda. As despesas trabalhistas são altíssimas. O Salário Mínimo de R$ 880,00 é pouco para se receber, mas é caríssimo para se pagar. Manter as atividades num consultório com condomínio, secretária e todas as taxas exigidas como CRM – Conselho Regional de Saúde, AMMG – Associação Médica de Minas Gerais, SBE – Sociedade Brasileira de Endocrinologia, ISS – Imposto Sobre Serviço, IM – Impostos Municipais, Vigilância Sanitária (vistoria anual de balança e ar-condicionado, R$ 250 cada item), resíduos sólidos, IPTU e outras taxas está tornando inviável a prática médica. 
Troco figurinha, já que a maioria dos convênios médicos paga em média R$ 60 por consulta, meses depois. É impossível saber o que pagam. Não temos contracheque e no que é depositado vêm descontadas taxas nem sempre claras. Entre os endocrinologistas da minha cidade, o preço da consulta particular, rara, varia de R$ 180 a R$ 400. 
O glamour e o imaginado status de médico ficaram pelo caminho. Aos não vocacionados, que pensam ficar ricos, que arrumem um bom emprego e o mantenham, pois o mundo real é diferente do idealizado.
Tenho saúde frágil. Fui inábil para conseguir um emprego, fazer previdência privada e reservas. Ninguém tem culpa disso, exceto eu mesma. É apenas o meu caso, mas outros passam pelo mesmo problema: velhice desassistida. Enquanto produzo, me arrancam tudo. E quando eu não puder mais, quem vai cuidar de mim?
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Início do ano letivo: momento oportuno para inovar na Educação



No nosso sistema escolar, há rotinas cristalizadas. Se há algumas mais especiais, uma delas acontece no início do ano letivo: as conhecidas Semanas Pedagógicas. Ainda que essas atividades acadêmicas possam ter diferentes nomes, na essência, todas têm o mesmo objetivo: o de dar as boas-vindas aos professores e gestores das escolas, “energizando-os” para mais um ano de trabalho. Dedica-se esse período para planejar e organizar as atividades escolares e, fundamentalmente, para oferecer capacitação profissional.

Como professora, eu sei o quanto este rito faz sentido para o recomeço de uma atividade desafiadora, que tem o dever de influenciar positivamente a vida dos alunos. Mas, será que esse momento tão especial, dedicado ao professor, está sendo devidamente aproveitado?

Em particular, esses programas de capacitação têm sido avaliados e reavaliados com alguma periodicidade, visando à necessária relação com a efetividade no aprendizado dos alunos? Seria muito distante a conclusão de que os níveis sofríveis, em geral, da educação brasileira, possam também estar relacionados com essas recorrentes formas e conteúdos de capacitação do professor?

Ao final do ano passado, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, em uma entrevista à imprensa, disse que “se formássemos nossos médicos como formamos nossos professores, os pacientes morreriam”.

A declaração é alarmante. Focando tão somente no que acontece nas Semanas Pedagógicas, podemos identificar que, geralmente, são organizadas sem a atenção que merecem e sem qualquer avaliação dos resultados na aprendizagem dos alunos. Fica, pois, evidente o sentido da inércia: “fazer igual todos os anos, porque sempre foi assim”.

Em qualquer atividade humana, a quebra da inércia, da rotina, que podemos num termo chamar de inovação, é fundamental para o seu aprimoramento e os necessários saltos de qualidade.

Parece exagero atribuir a um evento específico toda a possibilidade de avanços nos resultados educacionais que temos. Óbvio que há muitos outros passos a serem dados e tantos outros fatores a serem trabalhados. Porém, por que não pensarmos em utilizar melhor essa oportunidade para inovar e contribuir na reversão do atual quadro do ensino no Brasil?

Nesses eventos, podemos começar pela mudança na forma como são selecionados os temas e os palestrantes. Antes de buscarmos os assuntos da moda ou os profissionais que têm chamado a atenção nas mídias, devemos conhecer melhor os professores das nossas instituições, a quem dirigiremos as capacitações.

Diagnósticos individualizados permitem aos diretores de escolas saber quais são as fragilidades e as potencialidades de cada um de seus professores. De posse desses dados, certamente ficará mais fácil pensar e criar propostas diferenciadas de cursos e oficinas focados nas reais necessidades, com grande probabilidade de influenciar a atuação diária do professor em sala de aula e, consequentemente, de melhorar a aprendizagem do aluno.

É possível também acompanhar os resultados pós-capacitação, em especial, verificar se o que está sendo aprendido tem relação e contribui com as demandas e desafios que os professores enfrentam no seu dia a dia nas salas de aula.

Não são propostas difíceis de serem realizadas, mas demandam vontade de fazer diferente, de olhar por novos ângulos, de perguntar sempre se não é possível fazer melhor. Somos capazes. Então, por que não mudar já?


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Por que executivos deveriam lavar banheiros


Texto de brasileiro que vive na Holanda, publicado há mais ou menos um ano, toca em ponto sensível da sociedade brasileira

Lavar o próprio banheiro tem muito a ver com a segurança de abrir um MacBook em uma praça pública do Rio de Janeiro, pode acreditar.

Por mais modernos que queiramos parecer, nós brasileiros somos um povo conservador. Temos uma alma aristocrática que não exige corpo aristocrático para se incorporar. Da faxineira à socialite, do gari ao magnata, não é difícil encontrar quem sonhe ter (ou tenha) um (ou mais de um) empregado em tempo integral a seu dispor, para servir e cumprir as tarefas desagradáveis.
Ter bens somente para ter e dizer que tem é normal. Ficar com o nome sujo no mercado para bancar uma vida que não pode pagar - mas impressiona no Instagram - também.
De tão cristalizada que essa visão está em nossa cultura, é difícil isso não soar como algo normal. Mas eu acredito, sinceramente, que seríamos uma sociedade melhor se executivos lavassem seus próprios banheiros e porteiros não precisassem olhar os moradores do condomínio de luxo de baixo para cima. 
Lendo coisas pela internet, encontrei um texto escrito por um brasileiro que mora na Holanda e publicado em seu blog, em janeiro de 2013, há cerca de um ano. Ele fala sobre isso e achei interessante compartilhar aqui com vocês. 

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus

Por Daniel Duclos
(Texto publicado sob a licença Creative-Commons/Não Comercial/ Atribuição/ Não derivativa 3.0)
A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.
Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.
Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).
Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções - estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?
Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).
Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.
O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.
Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não tem qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” - não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.
Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.
PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.
UPDATE: Muita gente tem lido este post como uma idealização da Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade. A Holanda não é nenhum paraíso e tem diversos problemas, muitos dos quais eu sinto na pele diariamente. O que pretendo fazer aqui é dizer duas coisas: a origem da violência no Brasil é a desigualdade social e 2, apesar da violência que gera, muita gente gosta dessa desigualdade e fica infeliz quando ela diminui, porque dela se beneficia e não enxerga a ligação desigualdade-violência. Por fim: esse post não é sobre a Holanda. A Holanda estar aqui é casual. Esse post é sobre o Brasil, minha pátria mãe.

Simão Mairins.

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segunda-feira

Um Brasil fora do eixo


A volta da inflação, a dificuldade de acesso aos serviços públicos. É a crise política e econômica do país que bate à porta do brasileiro. Em recente pesquisa do Ibope Inteligência, a opinião da população revela em números a instabilidade desse cenário. Para 82% dos brasileiros o país está no rumo errado. Apenas 14% dos entrevistados acham que o Brasil está no caminho certo e 4% não sabem.
Apesar da maioria da população crer que o país caminha no rumo errado, 40% acham que 2016, no geral, será melhor do que 2015, quase o mesmo percentual dos que acham que será pior: 35%. Os que acreditam que será igual somam 22%.
Entre a maioria que acreditam que o país está no rumo errado os jovens lideram o estudo com (88%). Os que ganham mais de cinco salários mínimos são (88%), os que vivem nas grandes cidades (87%) e os moradores do Sudeste (87%).
A pesquisa mostra que nunca tantos brasileiros acharam que o país está no rumo errado. Em abril do ano passado, 75% da população acreditava nisso, percentual já bem acima do registrado em agosto de 2014: 48%. Se comparado com dezembro de 2003, a diferença é de 46 pontos percentuais: nesse período 36% da população achava que o Brasil estava no rumo errado, contra 48% que consideravam que o país estava no caminho certo.
A pesquisa também questionou a percepção dos entrevistados a respeito do que leem, observam ou ouvem falar. Neste caso, 85% têm a percepção de que o país está no rumo errado e 12%, no rumo certo. Em abril do ano passado, essa percepção estava no mesmo patamar: 82% achavam que o país estava no rumo errado, percentual bem acima do verificado em julho de 2014: 57%. Na pesquisa deste ano, há uma convergência maior entre a opinião pessoal dos entrevistados e o que eles leem ou ouvem, quando comparada com as medidas anteriores.
Um ano melhor: em outubro, pesquisa do Ibope, realizada em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN), mostrou que a expectativa de metade da população (50%) era de que 2016 seria melhor do que 2015, enquanto 32% achavam que seria pior e 13% não esperavam mudanças. Em 3 meses, cai 10 pontos o número dos que acham que 2016 será melhor do que 2015.
Quando o assunto é a política, a opinião é mais negativa. Isso porque 38% acreditam que, politicamente, este ano será pior do que 2015 e 31% acham que será igual. Os que esperam um ano melhor em relação à política totalizam 28%.
Entretanto, em relação à vida pessoal, a maioria está otimista: 61% creem que 2016 será melhor do que o ano anterior, 25% acreditam que será igual e 13% acham que será pior.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 20 de janeiro e ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 142 municípios.

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Entenda as diferenças entre tristeza e depressão


Você sabia que existem diferenças significativas entre tristeza e depressão?


Certamente, você já se sentiu triste em alguma fase de sua vida. Seja por uma briga, uma perda significativa ou por qualquer outro motivo. Mesmo em situações mais intensas, como o luto (que pode durar mais tempo em algumas pessoas que em outras), a tristeza é uma condição passageira.

É muito comum confundir tristeza com depressão. Com certeza você já ouviu alguém falar: “Acho que estou depressiva.” Sendo que possivelmente essa pessoa esteja apenas triste. A palavra depressão está sendo banalizada.

 Por isso, é muito importante que aprendamos a diferenciar uma da outra para evitar rótulos e tratamentos inadequados.
Em primeiro lugar, devemos entender que a tristeza é um
SENTIMENTO como qualquer outro, que pode acontecer a qualquer pessoa e em qualquer momento da vida.

Além disso, a tristeza sempre vai ter um motivo e a pessoa vai passar grande parte do tempo pensando repetidamente na razão de sua tristeza. A pessoa triste pode ter sintomas físicos no corpo, como: aperto no peito, coração acelerado e choro. Mas se algo de muito bom acontecer em sua vida, ela conseguirá esquecer esse motivo e vivenciar a alegria. 

Já a depressão trata-se de uma
doença como qualquer outra, que causa intenso sofrimento tanto para a pessoa acometida por esse transtorno, quanto para os que convivem com ela. Além disso, pode ocorrer em qualquer idade, a qualquer pessoa e necessita de tratamento! A depressão não precisa ter um motivo aparente para ocorrer como a tristeza precisa. Dessa forma, se acontecer algo muito bom na vida de uma pessoa que está com depressão, como ganhar na loteria ou passar no vestibular, a pessoa continuará triste e não conseguirá aproveitar o momento e se divertir.

Muitas pessoas acreditam que depressão significa tristeza e que esse sentimento é o principal sintoma da depressão, mas não é.
O principal sintoma da depressão é a queda de energia. É a energia vital da pessoa que está deprimida.

É evidente que um dos sintomas da depressão é sim a tristeza profunda, que deve ocorrer na maior parte do dia e na maioria dos dias. Mas é importante ressaltar que existem outros sintomas, sendo que a tristeza é apenas uma parte do conjunto. Nesse sentido, a depressão causa diversas alterações capazes de afetar o funcionamento do indivíduo nas mais diversas áreas de sua vida.

Para uma pessoa ser diagnosticada com depressão, deve ter pelo menos 5 dos sintomas listados a seguir (além da tristeza profunda ou diminuição de prazer em realizar atividades que antes eram prazerosas) pelo período mínimo de duas semanas consecutivas, na maior parte dos dias.

Confira os sintomas mais comuns da doença:

Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias. Em crianças e adolescentes pode aparecer o humor irritável;
Diminuição de prazer em realizar a maioria das atividades que no passado eram realizadas com prazer;
Perda ou ganho significativo de peso (não intencional).
Diminuição ou aumento do apetite e do sono;
Agitação ou retardo psicomotor;
Perda de energia ou fadiga;
Sentimento de culpa ou inutilidade;
Dificuldade de pensar e de se concentrar, ou indecisão;
Diminuição da libido;
Baixa autoestima;
Pensamentos de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida (sem um plano específico), uma tentativa de suicídio ou um plano específico com o intuito de tirar a própria vida.
Padrão de pensamentos negativos sobre si mesmo, o mundo e o futuro.

É importante destacar que esses não são os únicos sintomas da depressão e podem variar de acordo com cada pessoa.

Todos passam por momentos de tristeza em alguma etapa de suas vidas. O problema surge quando a tristeza se torna intensa e prolongada, prejudicando a vida pessoal, social, profissional e familiar.
 Não espere o problema alcançar essas proporções! Busque ajuda de profissionais capacitados, como psicólogos, logo no inicio dos sintomas para que seja realizada uma avaliação criteriosa e para que os sintomas sejam tratados, evitando sua intensificação.


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