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sábado

As políticas educacionais e o último decênio


Muito tem se falado em educação, sobretudo nos últimos anos, quando o Brasil passou a desenvolver políticas públicas voltadas para a educação universalizada – ou seja, que atendam plenamente da fase infantil até a jovens e adultos.
 Hoje, segundo o Unicef, o Brasil superou o índice de mais de 97% das crianças, entre 7 e 14 anos, matriculadas em escolas. A contar em números, desde o Fundeb, sobretudo nos últimos 8 anos, o país passou a atingir metas satisfatórias mínimas em qualidade de ensino. Se continuarmos nesse ritmo, o analfabetismo poderá ser erradicado em menos de 30 anos e chegaremos, nas próximas duas décadas, a números semelhantes a algumas nações do Primeiro Mundo no quesito “qualidade do ensino”.
 Alguns pontos, entretanto, merecem demais aprofundamentos.
As modificações sugeridas pelo MEC, como o aumento de um ano no ensino fundamental, são válidas, mas o que se deve ressaltar, antes de tudo, não é o tempo que se passa na escola, mas o que se é ensinado e debatido dentro dela.
Poderá ser a melhor experiência pedagógica, se a escola conseguir “educar para o coletivo”. Nove anos, a integrar aí a pré-escola, é uma política positiva, desde que a escola e seu corpo docente estejam preparados para apresentar uma proposta viável que justifique o aumento do número de horas em sala de aula.
Os números do Ideb (Índice para o Desenvolvimento da Educação Básica), referentes a 2009, mostraram que os anos iniciais obtiveram média 4,6, seguido pelas séries finais (4,0) e, por fim, o Ensino Médio, com apenas 3,6%. Nesse último caso, reside a maior fonte de preocupação, porque entre 2005 e 2009, houve crescimento de apenas 0,2%.
O governo afirma, entretanto, que a contar do atual ritmo de desenvolvimento, até 2021, o país atingira a média 6, da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que inclui países como Canadá e Suécia, por exemplo. Um caminho foi trilhado: o de aumentar significativamente o acesso à educação: Entre 1995 e 2005, segundo o Ipea, as matrículas nas escolas municipais aumentaram de 14,1 milhões para 23,2 milhões.
Nos últimos anos, entretanto, as pesquisas em educação proporcionaram uma abrangência no que concerne à reestruturar o ensino.
Debates sobre a sexualidade e inserção de deficientes se intensificaram, bem como outros surgiram, no caso do bullying. Em 2008, a lei 11.645 tornou obrigatório o ensino de História e cultura dos povos originários e afrodescendentes.
 Enquanto na década de 1990, os neoliberais passaram a “educar para o mercado” e enfatizar a iniciativa pessoal e o empreendedorismo econômico como similares, agora a tônica passa a ser a tentativa de uma educação mais humana e solidária. Isso se dá, obviamente, por uma outra proposta de sociedade: se antes a meta era crescer economicamente, agora é o desenvolver-se socialmente.
Ao instituir o piso nacional, demos um primeiro passo como sociedade, na recuperação salarial dos professores. Porém, ainda há demandas que cabem ao Estado e aos profissionais.
O Primeiro deve proporcionar que os professores tenham plena realização profissional, fiscalizando estados e municípios na obrigatoriedade de suas metas diante do FNDE; aos professores, que sejam agentes do futuro, passando de professores à educadores, como desejava Paulo Freire. E nisso, adentra o papel da sociedade civil organizada, que deverá exigir de si mesma e de ambos os lados, o cumprimento das obrigações de cada parte.
Antes das metas do primeiro mundo, necessitamos atingir metas qualitativas próprias. Aquelas que edifiquem a sociedade e o bem comum, melhorem o presente e construam o futuro.
 Fabiano da Costa e Meila Mauren Velho de Souza.( Professor e Pedagoga)
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sexta-feira

Opinião do professor: “Educação de ocasião é um perigo”


Quem almoça fora todos os dias sabe que aquela comida variada e colorida de restaurante cai bem, e muito. Mas só nos primeiros dias. Depois, de um certo tempo, vem aquela vontade de comer um bom feijão com arroz, delicioso e que nunca enjoa. Perdoem-me os donos de restaurantes pela analogia; o propósito dessa crônica é outro. Não comida, mas educação.

Veja bem, não sou nenhum cinquentão na educação, mas tenho já uma considerável estrada no ofício de professor. Tenho acompanhado o andar da carruagem e visto como as abóboras têm-se acomodado. Nos últimos anos, o ensino no Brasil amarga resultados de último mundo. Volta e meia, lá vem alguma reforma na educação, com a defesa de que é preciso melhorá-la. E até agora, de mudanças em mudanças, ainda estamos andando em círculo, apenas. E não faltam teóricos a dizer isso, a sugerir aquilo, a colocar o professor, um herói quase anônimo, como, muitas vezes, o perfeito vilão. Boa parte dessa gente jamais pisou em uma sala de aula ou recebeu uma formação voltada para o final feliz de uma história que na verdade não existe. É gente que nunca teve uma arma apontada, que nunca sofreu ameaça de vida, que jamais ouviu palavras obscenas, que nunca fora espancado, que não conviveu com drogados...

Olha bem esse sistema que está aí no Estado. Irá aniquilar a evasão escolar? Irá detonar a reprovação? Creio que não. Não sou pessimista, mas conheço o cotidiano de escola e sala de aula. Pelo jeito, as coisas vão piorar. Se antes os alunos já tinham dificuldade de dar conta do que estudavam, agora vão ficar enredados numa teia de emaranhados a resolver durante o ano, levando-os à impotência e ao abandono da escola.

 E os professores? Precisam trabalhar em várias escolas e turnos para alcançarem a lajota que se quebrou, sem tempo, nem disposição por causa do corre-corre e da pressão de trabalho decorrente dos inúmeros problemas enfrentados todos os dias. Então, como vão interagir e planejar se o sistema é engessado? É uma contradição ter um tipo de organização escolar e viver em outro de modo surreal. Se até os tablets tiveram apagão, como essa proposta poderá funcionar?

Por isso, meus amigos, chega de conversa mole. Melhor um feijão com arroz e bem-feito. O ensino precisa ser simples, descomplicado e eficiente. A questão é mais que defender ideologias curriculares de esquerda ou de direita. É defender o que funciona e traz resultados. Os governos estufam as escolas e as universidades de gente como se fosse sobrecarregar um carro de 50 hp com uma dezena de pessoas. Impossível! O motor arria. Nem vai na banguela. Quem sabe turmas de até 20 alunos? Professores com turno de planejamento e outro para trabalho em sala de aula? Aulas de reforço semanal para ajudar alunos quando o sinal de alerta piscar nas avaliações? Quem sabe total informatização das escolas? Investimento na estrutura física? E por que não e, principalmente, melhores salários aos professores? É hora de parar com esse discurso de “trabalhadores” da educação, para trocar por “profissionais” da educação, como de fato merecemos ser reconhecidos, até porque pelo que mostra a história, trabalhadores comem carne de segunda e os profissionais, de primeira. Pode ter certeza que essas sugestões dão mais certo que ideias mirabolantes.

Alguém pode dizer que sou retrógrado, um saudosista, um tradicional de jaleco... que isso importa? Então me digam de onde surgiram tantas mentes magníficas? Que impulsionaram o conhecimento e a tecnologia até o mundo atual? Era tudo gente do tempo da tabuada, da cordialidade e da reverência nas relações. E a escola funcionava melhor.

Perdeste a fome? Que tal um feijão com arroz, um pedaço de carne, uma salada?

Volnei Ceron dos Santos, professor e especialista.

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quarta-feira

Família e Escola, uma parceria necessária


Quando pensamos numa configuração familiar de “antigamente”, logo nos vem à cabeça a família patriarcal, na qual o pai era o grande provedor e o polo dominante e a mãe, subalterna, ocupava a posição de cuidadora da família.

Mas, os tempos mudaram muito e hoje, em nossa sociedade, além da presença das famílias nucleares, temos várias outras configurações familiares. Temos, por exemplo, famílias reconstituídas, com filhos e filhas, mães e pais divorciados ou recasados; famílias monoparentais, nas quais apenas o pai ou a mãe assume responsabilidade com os filhos; famílias unipessoais, caracterizadas pelo fato de a pessoa viver sozinha por opção ou por necessidade; famílias binucleares, nas quais filhos de pais separados vivem sob guarda compartilhada; famílias homoafetivas, formadas por casais do mesmo sexo com filhos; uniões consensuais, nas quais os casais não formalizam sua união; e casais sem filhos por opção, entre outras. Finalmente, como aumentou muito o número de casais que se separam, também cresceram as famílias monoparentais sustentadas por mulheres.

Diversas causas – sociais, culturais, econômicas, afetivas e até tecnológicas – explicam essas novas configurações. Mas, o fato é que essas mudanças nos colocam novos desafios, entre eles o resgate da participação da família na vida escolar de seus filhos. Pois é sabido que, quando os pais não acompanham nem participam das atividades dos filhos na escola, estão de certa forma ajudando a aumentar a evasão escolar; o absenteísmo; a falta de comprometimento com os estudos; e as dificuldades de aprendizagem, entre outros problemas que contribuem para o fracasso escolar.

Precisamente com o objetivo de resgatar esse elo entre Família e Escola foi criado um programa chamado Pró-Família Harvard, desenvolvido pela empresa Planeta Educação. Esse programa é baseado em um projeto criado pela Universidade de Harvard, em Boston (EUA), denominado Havard Family Research Project e adaptado à realidade brasileira.

O conceito orientador do Pró-Família Harvard é simples: ao invés de culpar uns aos outros, professores e pais atuam como parceiros, de maneira a estabelecer relações e a construir confiança mútua, utilizando o tempo de convivência para dividir sonhos, expectativas e experiências, visando o sucesso social e acadêmico dos alunos.

Com metodologia inovadora, profissionais devidamente preparados visitam as residências dos alunos. Nessas visitas, o Agente Educacional conversa com a família, orientando pais e responsáveis sobre a importância da participação deles junto à escola. São oferecidas às famílias dicas simples e práticas, mas que fazem toda diferença na hora do estudo da criança em casa. Coisas como a importância da participação da reunião de pais; de ter um local adequado para realização da lição de casa, de se determinar um horário para estudos, entre outras. Em contrapartida, escola e professor recebem um retorno sobre cada aluno, com a realidade de cada criança ou adolescente. Com esse retorno, pode-se entender melhor a dinâmica familiar de cada aluno e, dessa forma, mudar o olhar e ter um diferencial no trato com esse aluno. Com a visita, a criança se sente mais importante, melhora sua autoestima e, comprovadamente, melhora seu comportamento e desempenho acadêmico no ambiente escolar.


Orientadora Educacional na empresa Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); Formada em Serviço Social pela Univap, com larga experiência em trabalhos relacionados à Educação.

domingo

Para reduzir índices de reprovação no RS


No final da tarde do dia 6 de junho, participei de um evento organizado na Coordenadoria de Educação da cidade na qual nasci e trabalho. Era a entrega dos tablets aos professores da Rede Pública Estadual de Ensino.

Como um dos convidados (havia outra professora), fui, recebi o tablet, tiramos fotos com o secretário estadual de Educação, Jose Clovis Azevedo, e a coordenadora e, então, começou uma roda de conversa. Algumas pessoas falaram, incluindo o Secretário. No entanto, algumas questões pontuadas pelo secretário me incomodaram um pouco. Eis alguns fatos ditos:

1° - Para o secretário, precisamos reduzir os índices de reprovação no Ensino Médio;

2° - Alguns países da América Latina, como Uruguai e Argentina, e países europeus possuem índices de reprovação/evasão escolar menores que o Estado do RS;

3° - Se há reprovação, a culpa é do professor, pois se o estudante reprovou é por não ter havido aprendizagem e o responsável pelo processo de aprendizagem é quem? O professor, claro.

Mediante estas falas, minha indignação foi grande, tanta que escrevo esse desabafo. Primeiro, eu concordo que é necessário reduzir os índices de reprovação e evasão na escola pública. Não pense o Secretário que meus colegas e eu adoramos reprovar alunos, mas temos que convir que o processo avaliativo hoje estabelecido é excludente por si só e não leva em consideração fatores externos (ex.: fatores emocionais/pessoais que prejudiquem o desempenho de um aluno numa prova, por exemplo).

Ainda, duvido muito que a tal da cultura de que "professor bom é aquele que reprova" seja ainda dominante na classe. Acredito que isso foi, por alguns, superado e esse discurso não é bem assim. Sabemos disso...

Outro ponto que me impressionou foi o fato da comparação absurda com países latino-americanos e europeus, uma vez que estamos tratando de realidades diferentes, sujeitos diferentes, culturas diferentes. Oras, não sejamos tolos! Ou, então, teremos também que comparar o quanto esses países investem na Educação Básica e o quanto o Rio Grande do Sul investe. Mais: quanto os professores recebem de remuneração em cada um desses países. Não façamos comparações descabidas!

Para finalizar, me admira que a pessoa que ocupa o cargo mais importante da Educação no Estado diga algo desse tipo: "se o aluno reprova, o culpado é o professor". Ora, eu reconheço que tenho parte influente no aprendizado dos estudantes, mas vamos levar em consideração que existem outras tantas variáveis nesse processo e que não são exclusividade do trabalho docente.

Para finalizar, digo que enquanto a prioridade na Educação estiver relacionada aos números (índices de aprovação, evasão e reprovação), pouco será feito de mudança efetiva no ensino. Ou então, enquanto os números a ser analisados sejam os acima citados, creio que nada mudará.


Professor de Biologia da Rede Pública Estadual de Ensino

Participe comentando o texto do professor.

terça-feira

Crianças: Quando o “não” deve ser evitado


Não corra, não faça isso, não pule aí... muitas vezes nos percebemos persistindo com os nãos repetidamente com a intenção de colocar limites, orientar e proteger os nossos filhos de situações ameaçadoras.

Geralmente costumamos fazer um mau uso do não, que deveria ser utilizado como um último recurso para evitar que ele se desgaste e perca a força com o tempo. Colocar limites e orientar vai muito além e o equilíbrio está em utilizar o não para coisas realmente importantes. Se alguém lhe pedir para não pensar em algo específico, o que lhe surge na mente? Provavelmente o que está proibido de pensar.

Estava relembrando um vídeo em que a neurocientista Suzana Herculano-Houzel explica de uma forma bem didática e clara o porquê das crianças não obedecerem aos nãos nas situações de comandos, como por exemplo: “Não pode subir aí”, “Não corra”. Em muitos momentos parece que elas nem nos escutam. A questão é que independente da fase que possamos estar nos referindo, do contexto e da personalidade de cada criança, temos que lembrar do que a neurociência nos ensina. “Existe uma parte da frente do cérebro, localizado bem atrás da testa chamado córtex pré-frontal, que entre muitas outras coisas é a responsável por impedir que a gente responda aos estímulos de maneira automática, sem pensar.” Segundo a neurocientista: “O problema é que esta parte do cérebro só amadurece na adolescência e enquanto não está madura a criança responde ao que vê e ouve fazendo o que dá na telha”.

Quando a criança escuta o “não toque” o seu cérebro se vê diante de um dilema, pois palavras como correr, pular e tocar ativam automaticamente estas ações e o cérebro se prepara para executá-las. Se a mensagem surge com um não na frente o cérebro não está maduro para bloquear a ação. Falar não pule, pode ser justamente um convite ao pulo. O que podemos fazer em relação a isto? Com estas informações inicialmente devemos nos colocar no lugar deles e pensar sobre as substituições, utilizando palavras como “parado” e “cuidado” por exemplo em uma situação ameaçadora.

Isto tudo envolve avaliar algumas crenças que temos sobre a relação pais e filhos e de refletir sobre outras maneiras de orientar os filhos, dar ordens e ditar regras. Primeiramente reavalie os seus hábitos e de que maneira os “nãos” são aplicados no seu cotidiano, controlando a impulsividade de dizer não o tempo todo evitando o dilema para as crianças. Em todas as situações as explicações do por que de não realizar determinado comportamento se faz necessária, de uma forma simples sem se prolongar demais e ao contrário de “não e pronto!”. Crianças e jovens precisam aprender a agir dentro dos limites estabelecidos com cuidado, para adquirirem uma estrutura segura para lidarem com as situações novas e desconhecidas.

 Por: Raquel Barboza Lhullier. Psicóloga, psicoterapeuta de crianças e adolescentes e especialista em Psicoterapia Cognitivo Comportamental
raquelbarbozalhullier@gmail.com

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segunda-feira

Profissão: professor brasileiro


Ser professor hoje em dia está bem difícil. Os baixos salários, a correria em várias escolas em busca de um pouco mais de dinheiro, a desvalorização e as imposições que nos são passadas cada vez mais “goela a baixo” estão acabando com a profissão.

No Ensino Médio Politécnico, no seu 2º ano de funcionamento, nada se sabe ao certo, tudo é imposto e a cada dia de uma maneira diferente, deixando alunos e professores completamente perdidos. Ora vale a nota, ora é conceito, ora temos provas, ora tem-se que avaliar o aluno qualitativamente, ora tem dependências, ora são acompanhamentos paralelos ao longo do bimestre (não sei em que horário) e no final de tudo a orientação é: passar todo mundo! Porque se não, ano que vem será a mesma regra deste ano... com alto índice de repetência os alunos que reprovaram no 1º ano do politécnico tiveram que fazer um provão no final de março e serem “empurrados” para o 2º ano.
Depois de quase 1 mês de aulas, perderam a matéria correspondente ao 2º ano, deixaram de fazer trabalhos e as turmas ficaram mais lotadas, com os alunos que já estavam ali e os que foram remanejados. Abrir outra turma, para quê? Quase 40 alunos dentro de uma sala de aula com 1 professor é barbada! Afinal, agora, esta é a nova regra: fechar turmas.

Não só no ensino médio, mas também no fundamental e em várias escolas. Turmas que já estavam funcionando desde março tiveram que ser fechadas e os alunos “jogados” em outra sala de aula.

A "ordem" é não contratar mais professores, mas a qualidade do ensino em nenhum momento é questionada. Como ficarão essas turmas agora, como será o ensino? Isso é bobagem, nisso não precisamos pensar.

A "ordem" é fechar turmas e reaproveitar os professores que sobraram, em outras escolas que estão sem professores desde o início do ano letivo.

 Aí nós professores nos viramos, corremos de uma ponta a outra da cidade, dando aula em vários colégios e tentando ensinar algo em uma sala de aula lotada e sem a mínima estrutura. E por tudo isso, somos recompensados com nossos “excelentes salários”!

Mas por trás de tudo isso, ainda existe o amor pela profissão, o fazer, o poder de mudar a vida dessas crianças e adolescentes que passam pelas nossas mãos. Isso é o que nos dá forças para continuar na carreira e batalhar por melhorias na qualidade do ensino.

E espero que eu consiga fazer a diferença na cabeça de alguns deles e que os faça pensar, para quando forem eleitores, sejam eleitores conscientes e não repitam os mesmos erros que eu repeti.

 Mas fica a pergunta: até quando vamos aguentar tanto descaso???



quinta-feira

É possível entender Nietzsche?


Friedrich Wilhelm Nietzsche é um dos poucos filósofos cujo nome não invoca opções doutrinárias e atitudes intelectuais. Ao contrário. Evoca um estilo de pensar e uma prática de vida. O nietzschismo não é apenas um tema ou uma tese de refregas acadêmicas entre historiadores das ideias como aconteceu no kantismo. Não houve uma escola nietzschiana propriamente dita. Muitas vezes, porém, a sua obra é uma referência polêmica para artistas, literatos, políticos e filósofos. Mais de uma vez, em épocas de inquietação e desassossego, o nietzschismo há de surgir como uma palavra de ordem provocativa ou escarnecível, arrebatadora ou repulsiva. Mais: até mesmo um apelo a sublevar e derruir a tradição moral de berço platônico, inclusive a civilização ocidental e cristã.

Por certo, Nietzsche não é um monstro sagrado. Mas também não é um pensador ignoto. Longe disso. Os intelectuais, mesmo os que dele discordam, respeitam o seu pensamento. Assim falou Zaratustra - talvez o seu livro mais lido! - cuja primeira parte escrita em dez dias foi redigida em Rapello, nas proximidades de Gênova, em 1883; a segunda, após a morte de Wagner; a terceira, na França, em março de 1884; e a quarta e última, em Nice, em abril do mesmo ano, encanta qualquer público.

Zaratustra, escreve, tem eterno direito a dizer "eu traço círculos e fronteiras sagradas em torno de mim: sempre mais raros são os que comigo sobem montanhas sempre mais altas - eu construo um maciço de montanhas sempre mais sagradas". E adita: "Somem-se o espírito e a bondade de todas as grandes almas em uma: todas juntas não seriam capazes de produzir uma fala de Zaratustra. Tremenda é a escala em que ele se move; ele viu mais longe, quis mais longe e pôde mais longe que qualquer homem. Ele contradiz com cada palavra, esse mais afirmativo dos espíritos; nele todos os opostos se fundem numa nova unidade". E acrescenta: "Não há sabedoria, pesquisa da alma ou arte do discurso antes de Zaratustra: o mais imediato, o mais cotidiano fala das coisas inauditas ali". E ainda falando sobre o seu Zaratustra, assim se expressa: "Com Zaratustra fiz à humanidade o maior presente que até agora lhe foi feito. Não é só o livro mais elevado que existe, autêntico livro do ar das alturas; é o mais profundo, o nascido da mais oculta riqueza da verdade, poço inesgotável onde balde nenhum desce sem que volte repleto de ouro e bondade". E nele escreve: "Os figos caem das árvores, são bons e doces: e ao caírem rasga-se sua pele rubra. Um vento do norte soa para os figos maduros. Assim como os figos vos caem ensinamentos, meus amigos: bebei seu sumo e sua doce polpa! É outono em torno e puro céu e tarde". Mas logo Nietzsche se rebela e exclama indignado: "Afastai-vos de mim e defendei-vos contra Zaratustra! Melhor: envergonhai-vos dele! Talvez ele vos tenha enganado!".

Entender Nietzsche, filósofo, caro leitor, é vencer dificuldades que, decerto, nenhuma outra obra filosófica apresentou ou apresentará. Em seus textos não se deve jamais buscar uma filosofia do sentido da história. Nietzsche permanece no terreno de uma "psicologia", de uma antropologia que assevera como "natural" a busca universal da felicidade, e não pode admitir na ordem da natureza nenhuma exceção para o homem, "ser vivo entre os seres vivos". O próprio Kant não pôde superar uma moral da felicidade a não ser invocando um estranho "fato da razão" de ordem transcendental. Pois bem. O que Nietzsche descobre na vontade de poder não é uma paixão entre outras, por importantes que sejam, mas só ela explica toda outra paixão, todo outro desejo, toda outra vontade que não é, em última análise, senão uma manifestação fraca, a única noção de "vontade" cuja extensão pode desenvolver-se da mais simples planta ao animal mais complexo, da "ameba ao homem", sem perder-se no vazio de uma vontade em si sem objeto. Destarte, ela "comanda" toda a psicologia que se torna ela mesma teoria da vontade de poder.

Nos bancos universitários e, mais tarde, já professor da UFPel, mantive, juntamente com meus alunos, inesquecíveis encontros com Nietzsche. Agora, na aposentadoria, dedicado à literatura e às minhas óperas, acabo de manusear com nostalgia, mas com o espírito em alerta, as páginas amarelecidas pelo tempo de uma obra magnífica: Ecce Homo.

Nela, escrita em 1888 - enquanto o Brasil liberta os seus escravos! - Nietzsche se questiona se suas obras podem ser facilmente lidas. Ou melhor: entendidas por seus contemporâneos. "Por que escrevo livros tão bons?", se pergunta. "Uma coisa sou eu, outra são meus escritos". Por Deus! Ecce Homo é uma das mais belas e instigantes obras da língua alemã; o livro mais singular jamais escrito por um pensador. Nele, o autor faz um balanço da sua vida. Mas não é mera autobiografia. É confissão. É interpretação. É uma síntese de seu pensar. De seus temores. De seus conflitos. Um grande pensador - talvez um dos mais influentes da sua época! - Nietzsche fala de suas influências. De sua paixão. De como pariram seus textos. De seu modo de vida. De suas aflições. De seus objetivos. Nele - totalmente desnudo! - faz um original intróito de si mesmo.

Mais de um século após a sua morte - ele morreu em 1900 - após tantas discussões, depois de tantos empenhos interpretativos, após análises eruditas, o que se poderá fazer para que a particular inaturalidade de sua obra seja enfim, ao homem, inteligível? É a pergunta que deixo ao caro leitor, neste domingo outonal. Mas assim é Nietzsche. E como é bom reencontrá-lo!

sábado

Mais decência para docência



A Lei do Piso Nacional do Magistério, além de ter criado um padrão para uniformização e melhora dos salários dos professores do país, trouxe importante alteração (que não está recebendo a devida atenção) em relação à limitação da carga horária para o trabalho direto com os educandos.

Para tanto, a Lei do Piso limitou a jornada de trabalho do professor para 2/3 do total das horas trabalhadas em sala de aula e o terço restante, reservou para preparação e elaboração de aulas e para a formação do docente.

O que busca a Lei do Piso, com esta inovação, é proporcionar ao professor espaço necessário e de qualidade para complementação da sua formação. Somente assim, com a redução da carga horária, haverá oportunidade para que o professor possa se aperfeiçoar e enfrentar as rápidas mudanças que o ensino atual exige.

A reorganização da estrutura pedagógica do ensino público passa por alguns fatores determinantes, dentre os quais podemos destacar: o aperfeiçoamento dos educadores e o seu maior envolvimento com a comunidade escolar, pontos essenciais na busca de uma educação com qualidade. A modernização do ensino, acompanhando as necessidades atuais, deve ser buscada permanentemente e isso somente será possível se o professor tiver tempo para planejar suas atividades.

A Lei do Piso é muito mais abrangente do que, simplesmente, o aumento de salário que vem sendo discutido entre os professores e os governantes. Esta lei inovadora deu aos docentes, também, oportunidade para avanço na sua formação profissional, entregando-lhes tempo para que se aperfeiçoem pedagogicamente e envolvam-se com o meio estudantil.

Resta saber se os nossos governantes, que discutem o índice de correção do Piso Nacional do Magistério, cumprirão a redução da carga horária que todos os professores têm direito.

segunda-feira

Projeto político pedagógico nas escolas: realidade ou discurso?


Os projetos políticos pedagógicos há pouco tempo atrás tinham se tornado o grande objeto de discussão nos meios educacionais. A obrigatoriedade destes projetos ficou mais clara a partir da Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB 9394/96). A questão que se coloca é, em que sentido as escolas vem desenvolvendo seus projetos políticos pedagógicos? Será realidade ou mera retórica discursiva para dar substância formal o não cumprimento de uma norma legal?

Uma instituição com fins formativos como a escola deve ser capaz de fornecer respostas contextualizadas tendo como base e meio o seu cunho pedagógico. Hoje a civilização pós-moderna/globalizada do trabalho pós-fordista/flexível, necessita de uma compreensão que resultará numa resposta que sempre refletirá uma visão de mundo, de sociedade, de cidadão para atuar nesta sociedade, da maneira como trabalhamos o conhecimento, bem como o viés político do espaço educacional que a elaborou.

 A educação cuja essência é desenvolver nos indivíduos potencialidades que os mobilizem como cidadãos críticos e autônomos deve ser construída em uma relação teoria-prática que realmente provoque resultados proativos e agregadores. Não existe conhecimento sem planejamento, assim como não existe educação de qualidade e contextualizada sem um projeto com objetivos bem definidos.

Os olhares das escolas de ensino fundamental e médio (particulares e/ou públicas) devem novamente voltar-se a seus projetos educacionais (discutir/rediscutir) esta é uma boa oportunidade de ressignificá-los como uma ferramenta preciosa que deve ser pensada no conjunto de uma intima relação entre família, escola e comunidade.

O sucesso ou não destes projetos na prática está atrelado, em grande parte, aquilo que os mesmos expressam. Serão eles efetivamente expressão de uma realidade concreta, ou metafísica? Além de responderem para onde a educação deve conduzir (analisando o quê, como, para quem e para quê ensinar), apresentam recursos políticos, econômicos, técnicos e humanos qualificados para concretizar esta resposta?

A direção e os professores estão cientes da necessidade de um projeto de educação antes de ser instrumental e burocrático deve ser um compromisso de gestão? A comunidade e a família têm um papel fundamental nesta discussão cabendo a escola promover a dinamicidade necessária para sua aplicabilidade e participação.

Neste momento em que nossas escolas se vêem em uma encruzilhada sem rumo definido para implantar o ensino técnico-profissionalizante, este conjunto de questões busca provocar ou revigorar que a construção/prática de um projeto pedagógico crítico-produtivo exige o domínio de conhecimentos disciplinares e culturais, pedagógicos, didáticos e práticas interdisciplinares como metodologia e não somente a técnica como forma restrita do saber.

Construir políticas pedagógicas é um trabalho complexo que envolve tempo e comprometimento, porém, não pode ser negligenciado/engavetado ou imposto, mas sim debatido e publicizado para que todos tomem parte de suas responsabilidades deixando de lado o engodo e a falácia que tanto prejudicam e concorrem para o imobilismo da educação brasileira.

A construção de matrizes curriculares não pode ser iniciada sem que todos estes aspectos estejam claros e sejam de domínio dos atores envolvidos, pois do contrário teremos ótimas intenções escritas e documentadas, contudo as caixas-pretas (salas de aula) continuarão pouco estimulantes e deslocadas da realidade do aluno, persistindo a escola como um continuo refúgio e depósito de cérebros alienados reféns de um sistema ineficiente e indiferente ao agir e ao pensar criticamente.

quarta-feira

O conteúdo no centro das atenções


Os conteúdos escolares, resultantes dos saberes e conhecimentos científicos construídos ao longo da história, constituem uma das ferramentas do processo de ensino/aprendizagem.

No passado (décadas de 50 a 70), houve padronização destes conteúdos, proposta e controlada pelos Estados da federação. Hoje, a legislação não apresenta uma listagem oficial, muito embora, algumas mantenedoras ainda o façam para orientar seus sistemas de ensino. A Lei Federal apenas orienta a organização do
currículo e seus conteúdos, definindo a obrigatoriedade das quatro áreas do conhecimento, mas não impõem limites. Ao contrário, permite que os sistemas e as escolas decidam sobre o currículo escolar e seus conteúdos, levando-se em conta os Parâmetros Curriculares Nacionais.

A liberdade conferida pela Lei 9394/96 provocou forte impacto nos sistemas de ensino, provocando debate e posicionamento sobre a necessidade e relevância dos conteúdos escolares. Neste embate, os conteúdos passaram a ser previamente selecionados pelas editoras, que seguem orientações emanadas do PNLD/MEC e, posteriormente, reorganizados em função do tempo escolar, na montagem dos planos didáticos, representando uma redução no volume do conhecimento disponível aos estudantes.

Compreendendo os conteúdos escolares como uma parte do conhecimento humano e sistematizado em formato acessível ao estudante, devemos focá-los como elementos provocativos da aprendizagem, pois os conteúdos não são “fim”, mas “meio”. São parte das ferramentas de construção ou reconstrução dos sujeitos que aprendem. Não podem, portanto, ocupar o centro do processo ensino/aprendizagem, longe da crítica e da reflexão que devem suscitar, pois, ao contrário, retiram dos sujeitos o seu protagonismo. Desta forma, a aprendizagem, expropriada de
identidade, passa a ser mero treino e repetição.

Um currículo crítico e dinâmico deve atribuir significado aos conteúdos escolares. Sua definição/escolha nos planos pedagógicos devem ter nitidez frente aos objetivos da instituição de ensino e aos conhecimentos a serem produzidos pelos estudantes. Abdicar do significado (para que servem estes conteúdos) inibe o potencial dos estudantes e torna enfadonha a aprendizagem.

A escola deve compreender o mundo atual para dialogar com esta geração. O mundo tecnológico apresenta uma linguagem dinâmica que se adapta e se refaz, permanentemente. A internet encolheu as distâncias, tornou instantâneas as comunicações e reuniu todas as informações e conhecimentos disponíveis em poucos cliques. O “conteúdo” desejado se revela em diferentes formatos, como texto, vídeo, áudio ou de forma combinada, o chamado hipertexto, apropriado para leitura rápida ou para algumas horas de estudo e de acordo com o desejo e a necessidade do interessado. Neste novo formato de aprendizagem, o conteúdo tem significado por nascer do interesse do estudante e não da proposta do professor.

O problema, então, não são os conteúdos, mas o enfoque que assumem na proposta pedagógica. Ou tomam o seu centro, trabalhados e cobrados como fim em si mesmos, ou mediatizam a compreensão do mundo real, tecendo uma teia de relações e significados de forma dinâmica e interdisciplinar (interativa).

Esta última é a perspectiva que embasa a Reestruturação Curricular, em curso, proposta pela Secretaria Estadual de Educação do Estado do Rio Grande do Sul.

 Profª Neila Gonçalves Silva.
Coordenadora Regional de Educação da 18ª CRE

quinta-feira

Encontramos o que procuramos


Durante minha passagem nesta terra tenho observado que sempre encontramos o que procuramos. Mas, somente aquilo que está em nosso inconsciente. Podemos dizer aos quatro ventos que queremos conquistar alguém (homem ou mulher), ou algo (emprego, posição, carro, etc.), mas se nosso inconsciente nos faz agir de uma maneira contrária ao que estamos dizendo o que prevalecerá serão nossos atos. Muitas vezes queremos educar nossos filhos e acreditamos piamente que isso é o que estamos fazendo, mas o resultado é o contrário. Provavelmente confundimos educar com sobre proteção. Ante um problema dizemos que desejamos resolvê-lo, porém o único que fazemos é justificar que não somos responsáveis do que o provocou.

Há pessoas que vivem com problemas toda a vida e nunca encontram uma solução para eles. Todos têm problemas que parecem de estimação, e de certa forma cuidam deles porque são eles que nos fazem sentir vivos. São os calos que a vida vai formando nas nossas almas e espíritos. Esses calos permitem que suportemos outras situações sem que nos incomodem. São as durezas e crostas que se vão formando em volta de nosso ser que alguns chamam de experiência ou maturidade.

Também tenho conhecido pessoas que ficaram estacionadas num ponto das suas vidas, sempre olhando para esse momento determinado esquecendo-se de viver o momento presente, e quando percebem a vida já passou. São essas pessoas que possuem verdades absolutas, que passam perto da gente dizendo: Sou assim, não mudarei e quem quer ficar perto de mim tem que aceitar-me assim, senão que caia fora! O engraçado é que estão convencidas que a única verdade imutável é o que elas pregam.

Tenho amigos que acreditam que todos os seres humanos são bons, e que no fundo todos têm boas intenções. Em função desta crença sofrem muito quando a vida lhes demonstra que há boas e más pessoas, que o mundo não é a imagem e semelhança deles, mas da natureza do ser humano. Outros não acreditam nem neles mesmos, pensam que todos tentam enganar a todos e que a maldade impera e se alastra por todos os cantos. Por isso quando recebem um ato de bondade ficam desorientados e ficam procurando o que de ruim há atrás dessa boa ação. A verdade é que no mundo real convivem o mal e o bem, como nos corações de todos os homens.

A luta é contínua, não sei se termina depois que nosso tempo na terra acaba,
mas caso continue estou ansioso para ver quem vence, o crédulo ou o incrédulo. Tenho minha preferência pessoal e vivo de acordo a isso.

E você meu caro amigo amigo?

Boa reflexão.

Por: Ricardo Irigoyen.


 

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Prioridades na Educação do Rio Grande do Sul



Dados estatísticos apontam para deficiências no ensino no RS, revelando que a universalização do acesso à escola não é suficiente para garantir o sucesso escolar dos estudantes. A voz uníssona da sociedade clama por mudanças necessárias ao desenvolvimento dos estudantes para sua adequada formação.

Nesse sentido, dois aspectos merecem reflexão: o status atribuído ao professor, principalmente aquele da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, e a remuneração desses docentes.

Em relação ao primeiro aspecto, cabe lembrar que os jovens não querem ser professores, razão pela qual cursos de pedagogia e licenciatura estão sendo fechados. Quanto à remuneração dos professores nessas etapas, constata-se que ela é, no caso das instituições privadas, 100% inferior à remuneração dos docentes do ensino superior. Para trabalhar na educação infantil e nos iniciais, em geral, os professores são recém-saídos do curso normal ou de cursos superiores, com destaque para aqueles que fazem cursos a distância, mais rápidos e baratos, mas que impedem o contato presencial com seus professores, tão importante para a construção de paradigmas no seu futuro trabalho.

Os docentes dessas crianças precisam ser mais qualificados e valorizados, já que nessa faixa etária forma-se o caráter, a personalidade e há maior receptividade à intervenção pedagógica do professor.

Há uma inversão de prioridades: os professores que são mais exigidos porque trabalham com indivíduos em formação são os mais desvalorizados social e financeiramente e os mais qualificados optam pela educação superior onde encontram mais status social e melhor remuneração.

Outro aspecto merece destaque: a necessidade de que as universidades atendam as reais demandas na formação de professores. Os futuros docentes precisam ter uma formação que tenha real importância na vida dos estudantes e que venha ao encontro de um ensino que dialogue com as diferentes áreas do conhecimento, sem que elas sejam fragmentadas, separadas por componentes curriculares.

A solução dos graves problemas da educação passa pelas mantenedoras que precisam oferecer aos docentes condições adequadas de trabalho, planejar atividades de formação continuada e redimensionar a paridade em relação ao status social e remuneração dos professores da educação básica.