I made this widget at MyFlashFetish.com.

quinta-feira

Mundo - Nossa casa, hoje e para as futuras gerações


A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 foi lançada oficialmente no dia 10 de fevereiro - Quarta-feira de Cinzas. O tema é Casa Comum, nossa responsabilidade. O lema bíblico: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
 O objetivo é chamar atenção para a questão do direito ao saneamento básico para todas as pessoas, fortalecendo o empenho, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da Casa Comum, ou seja, do planeta Terra.
A Campanha é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), assumida pelas igrejas Católica, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Anglicana, Presbiteriana e Sírian Ortodoxa de Antioquia. Além delas, estão integradas a Aliança de Batistas do Brasil, Visão Mundial e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep). Terá dimensão internacional, em parceria com a Misereor - entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.
Quando de seu lançamento, bispos, pastores e reverendos mostraram números preocupantes: o Brasil é um dos países com o índice mais alto de pessoas que não possuem banheiro com quase 7,2 milhões de habitantes, em 2014. Cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas do serviço de coleta de esgotos.
A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira.
Falar desse assunto é, como escreveu o papa Francisco, na encíclica “Laudato si”, “cuidar da casa comum”, uma vez que afeta a saúde pública, a dignidade humana, a sustentabilidade do planeta e a economia. Há um trio de preocupações para quem lida com estas relações. 
Precisamos aprender a cuidar de nós mesmos (aí incluindo a parte física, psicológica e espiritual), dos outros (somos uma sociedade interdependente) e do Mundo, o lugar onde vivemos e pelo qual somos responsáveis, tanto no aqui e agora, quanto no que iremos deixar para as próximas gerações.

Comente este artigo.

domingo

Ministro desabafa: Amo a vida!

Amo viver

Amo viver, embora muito tenha apanhado na vida. Reclamo das coisas ruins da vida, mas amo viver. A vida em algumas oportunidades me foi madastra. Na maioria das vezes, mãe. Analisando os prós e os contras da minha vida o saldo me é positivo.
Deixei de ver as coisas pelos seus lados negativos e passei a admirar mais as coisas boas, porque elas me brilham aos olhos, alegram o meu coração e trazem o sabor da felicidade.
Demorei a aprender a viver, e nem sei se aprendi tudo. Agora, que estou me sentido bem melhor, estou. Não me maltrato mais pensando no pior e nem me preocupo de como será o amanhã, o que antes era o meu sofrer por antecipação.
Entendi que planejar na vida não é já viver a boa vida, mas evitar que o ruim e as dificuldades da vida deem oportunidade para que as maldades alcancem a vida.
Antecipar o bom é programar para espantar o mal que sempre ronda a vida. E tudo começa por um pensar positivo sobre a vida.
Da vida eu só quero a vida. Quando eu for embora nada vou levar desta vida. E na vida o melhor da vida é o amigo que se tem na vida, pela compreensão e aceitação que ele me tem simplesmente pelo que eu sou em vida.
Construir faz parte da vida, enquanto o destruir é não saber como viver a vida. Dispor da vida não é desperdiçá-la no arbítrio que a destrua e a torne sem vida.
Ao descobrir que nada é absoluto na vida passei a usar a temperança como método de não me magoar. Procuro fazer com que o meu amargo seja doce. E foi nesse exercício interior que notei que ao terminar o amargo vem a doçura.
A pressa que eu tinha na vida acabou. Agora me conduzo na sentença do Eclesiastes quando ensina que “há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Assim, não me canso mais e vejo tudo acontecer. Deixei de ser cego.
Amar a vida é ser grato a Deus pela vida que Ele me deu. Eu sou aquela folha que caiu da árvore e Ele sabe como e por que caiu. Hoje tenho olhos para ver.
Minha visão de mundo mudou. Não quero mais abarcá-lo com as pernas. Estou quase entendendo completamente para que serve o perdão.
Amo a vida, amo viver e quero ainda aprender a amar tudo que tem vida -eu sei que consigo, falta pouco.
Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União.
Comente este artigo.

sexta-feira

A ética do purgatório

Os pais são os maiores antiéticos, mentem fingindo acreditar na mentira da escola

Qualquer discussão sobre ética e profissionalismo deveria interessar a toda comunidade escolar (interna e externa), e em especial aos indivíduos mais esclarecidos, os que têm condições de confrontar os documentos tendenciosos vindos das instâncias maiores, porque são poderosos.
Acreditar em citações infundadas é coisa de criança. Quando éramos crianças, tinha de ser dito o nosso dever, digo ao referente às boas maneiras. Havendo crescido num lar ético e educado, não é preciso que se no-lo diga novamente.
O assunto em voga aqui é se nossa obediência constitui uma expressão da ética advinda do conhecimento de causa ou da mera subjugação ao poder. Pois, na educação é assim, é dito o conveniente, se é importante no momento! Vale tudo a salvação de quem tem poder, ignora-se o certo, e o desconhecimento do receptor favorece a subjugação.
E por falar em conveniência, não podemos esquecer de que no atual sistema, os bons ficam ruins e os ruins nunca ficam bons. Para prevalecer me fiz ruim, acomodei-me, sim, apenas queria evitar indisposição com os que me cercavam. Eu nunca soube me importar com os orgulhosos demais, chamando-me de incompetente.
Com o tempo, contaminar-se-ão também. Assim brincamos na gangorra profissional do professorado público sem a qualidade esperada. Às vezes, tenho me calado com um sufoco na garganta porque a maioria maltrata o inconveniente, ou melhor, conquista com unhas e dentes, violentamente, o favorável para si.
Cá no corpo docente, quando alguém sai do meio dos amigos, é eleito para coordenador ou diretor, esse promove a si mesmo uma mudança de relacionamento. Circunda-se de uma nova atmosfera de recíprocas obrigações, pelo menos, em parte, deveria ser assim.
Mas, a maioria dos diretores escolares eleitos torna-se corpo estranho na equipe. Alguns se tornam novas pessoas, porém desconhecidas, entram num novo tipo de vida, isto é, uma vida independente, sem preocupação com o bem-estar, com a segurança e com a integridade dos outros, outrora colegas íntimos.
E mais para cá, no meio dos subalternos,  nossa relação com os líderes não deve ser assegurada num ambiente de desonestidade, perseguição, desordem, ódio e hostilidade. Isso não funciona nem mesmo no Purgatório!  Obediência em base legal é simplesmente a viabilização da ética…
Agora compreendo por que algumas autoridades do meio educacional querem abolir a eleição direta para diretor escolar, pelo menos, se não for ético é coerente. Você prefere ser subjugado por um chefe, chefe imposto e indicado ou desconsiderado por um “amigo”, alguém em quem votou porque confiava e depositava credibilidade? Não seria mais ético se  talvez tivéssemos diretores por formação e concursado ao cargo? Só assim, eles teriam tempo suficiente para aprender a trabalhar com mais ética.
Apesar da fala do Albert Einstein: “Especialista é alguém que lhe diz uma coisa simples, de maneira confusa, de tal forma a fazer você pensar que a confusão é culpa sua.” A maior tragédia de um professor comum eleito à direção acontecerá depois do mandato, terá que voltar ao meio dos colegas “mortos e feridos”, no pós-guerra! Os sábios pensarão mais nesta frase do comentário de capa do filme “Detenção”: “Dê a um homem um pouco de poder e ele comete coisas inesperadas. Tire de um homem seu orgulho e sua humanidade e ele acaba fazendo coisas piores!”
A ética do purgatório é esta: um aluno com 11 anos de idade pode votar, escolhendo seu diretor escolar, mas não pode resolver sua vida estudantil na escola sozinho. E o pai vota no candidato à direção que o filho sugerir.
O aluno de menor não podendo receber nem mesmo o seu próprio boletim, traz o pai desenformado, e ele nem sabe qual é a série e a sala do filho, e também motivado por ele vota no candidato simpático a família! Os pais são os maiores antiéticos que já conheci no mundo da educação, mentem fingindo acreditar na mentira da escola.
Comente este artigo.

quarta-feira

No Brasil do desarmamento também temos muitos motivos para chorar

A medidas adotadas não são suficiente para evitar o acesso ilegal as armas

As novas medidas propostas recentemente pelo presidente norte americano Barack Obama para o combate da violência armada reacendeu um importante debate mundial sobre o tema.
É inegável que a checagem de antecedentes criminais e de sanidade mental é fundamental para restringir legalmente que criminosos e pessoas com transtornos tenham acesso a armamentos. Porém, não o suficiente para evitar o acesso ilegal por meio do crescente comércio clandestino nacional e internacional.
No entanto, o destaque nos noticiários ficou por conta do choro do presidente Barack Obama. Aqui no Brasil também temos muitos motivos para chorar. A começar pela equivocada política de segurança pública que vitimiza todos os anos milhares de cidadãos em nossas terras.
Fato é que aqui, ao contrário dos Estados Unidos, apesar de vigorar leis bastante restritivas, visando o controle e o desarmamento da população, o que vemos é o contrário. Um total descontrole, contrabando e o aumento dos índices de criminalidade.
Os resultados são lamentáveis. Milhões de armas irregulares em circulação e cerca de 60 mil homicídios por ano. Sem contar os milhões de cidadãos brasileiros que hoje não conseguem ter acesso a meios efetivos e compatíveis de defesa, devido à discricionariedade na análise de comprovação de efetiva necessidade, e encontram-se vulneráveis a ação dos criminosos.
Nos EUA, as novas regras “não são um plano para retirar as armas de todo mundo”, como destacou o presidente Obama. Argumenta que são medidas razoáveis para fortalecer o sistema de controle de compradores e vendedores de armas. No entanto, assim como o cenário brasileiro sugere, essa ação terá pouca ou nenhuma influência na redução da violência. Afinal, certamente quem está disposto a cometer um crime não se preocupará em cumprir leis.
O atual debate em busca de soluções e medidas efetivas é de extrema importância e deve continuar, porém é preciso pensar tecnicamente e não politicamente, e levar sempre em consideração a realidade de cada país, ao invés de promover ações baseadas em ideologias, suposições ou comparações infundadas.
Comente este artigo

terça-feira

Por que a população não reage aos absurdos dos governos?


Uma defesa psiquiátrica dos corruptos da Lava Jato

Em nosso último artigo, de domingo, 7.fev.16 [disponível em dmdigital.com.br], discorríamos sobre as leis esdrúxulas que o Estado brasileiro aplica aos cidadãos, nossas “castas inferiores”. Aqui entra a malemolência do populacho, que não se preocupa muito com estas leis escorchantes porque simplesmente as ignoram, não sabem e não querem saber que existem, ou então porque, como todo bom brasileiro, têm amigos, familiares, pessoas da roda de churrasco, da pelada do fim de semana, do círculo religioso, que quebram-lhe o galho com as leis.
Assim ficou o país por longuíssimos anos, por séculos. Agora, que a casta burocrática estatal intermediária (a casta estatal superior são os governantes-políticos) está despertando, está se “europeizando” mais (vide nosso último artigo), estão, orgulhosamente, exigindo o cumprimento das leis. 
Uma parte da população, aquela que não dá conta de cumpri-las, se revolta, mas as castas estatais superiores e intermediárias, mais uma vez, arrumam meios para calar a boca do populacho: por exemplo, criam leis que exigem que uma firma de engenharia mecânica X contrate 10 profissionais por turno dos quais não tem necessidade, p. ex., engenheiros civis, elétricos, eletrônicos, técnicos de edificação, etc. 
Tais leis são feitas pela casta político-governamental em conjunto com a  casta burocrática para “proteger o povo” e dar cabide de empregos para os remediados que estão sem emprego no mercado, aqueles que estudaram mas estão sem ter o que fazer e não têm força, ou interesse, para tornarem-se, eles mesmos, empresários. 
O Estado e suas castas burocrático/política está sempre querendo arrumar mais e mais boquinhas para os remediados (“ficar bem na fita”, “jogar para a galera”), mas chega num ponto que estas boquinhas matam a iniciativa privada daqueles que tentam sobrenadar acima da passividade do povão e dos remediados passivos.
As exigências legais de contratação de engenheiros na firma X, vistas aí acima,  calam a boca do populacho e remediados, mas criam um problema para  a população empreendedora: o que eles ganham não dá para cumprir tantas exigências. Aí, para não morrerem, entram na tal “corrupção”. Em sua maioria, quem corrompeu os poderes constituídos (alta cúpula estatal: governantes, políticos , casta burocrática) é porque  não  conseguiu cumprir as leis que jogaram em cima deles. Ou corrompe ou fecha as portas, pois até hoje ninguém teve a profundidade ou a coragem para desmantelar este pérfido esquema que todo este sistema montou.
Depois de um certo tempo em que a casta burocrático-estatal já está no poder, já está instalada, já se organizou (o período Lula-Dilma foi pródigo nisto), ela desenvolve uma psicopatologia peculiar: por exemplo, para justificar para a população e para si mesmos os altos salários, benesses, etc, começam a criar leis cada vez mais duras para “ferrar”com  os “exploradores  empresários” e “proteger o povão”.
 Alguns criam leis draconianas,  impossíveis, asfixiantes, pois não têm muita noção do mundo real, vivem em uma espécie de redoma de vidro, com a vida tranquila e sem se preocupar em matar um leão por dia para botar o leite na mesa, em meio a uma selva de leis e exigências. Como bons funcionários estatais, são criados pensando que o Estado é Deus, ou que o Estado é uma mãe, que tem de proteger os seus filhinhos-coitadinhos da sanha dos empresários-capitalistas-predadores.
A população em geral não reage a estas  “leis européias aplicadas num ambiente africano” porque, de modo geral, tais leis não vinham sendo cumpridas desde que Cabral aqui aportou.
Na medida em que a casta burocrática, por orgulho, por capacidade (querem mostrar serviço para si mesmos, afinal para que “estudamos tanto e temos tanta envergadura moral ?”), por justificativa (“afinal para que ganhamos tão bem e temos uma vida tão protegida das preocupações dos meros mortais ?”), aperta o parafuso das Leis, a população – aqui incluidos os pequenos/médios empresários e também os grandes não mancomunados com o Estado – começa a se dar conta de que não consegue mais cumprir tanta exigência, encargos, impostos, obrigações, legalismos. 
Aí só tem uma solução: parar de arriscar-se, parar de produzir, tentar virar funcionário público, ou então, como na Lava Jato, “corromper-se” e tentar sobreviver. Isto explica o paradão comercial e industrial do Brasil de hoje.
É claro que muitos se dão conta, alegremente, como vimos na Lava-Jato, de que não apenas conseguem sobreviver, mas até viver, e muito bem sob a proteção da alta casta estatal (político-governamental) comprada. O que era para ser uma sobrevivência vira uma super-vivência, com uma vida de luxo em conluio com a corrupção estatal, afinal ninguém é de ferro.
Assistimos agora a luta da alta cúpula estatal (governantes/políticos) contra a casta burocrática estatal, pois o Estado começa a ver que as “leis excessivas”, burocracia excessiva, exigências, impostos, contratações obrigatórias e desnecessárias, estão matando o País e impedindo a alimentação voraz do próprio Estado.
A alta cúpula do Estado (governantes/políticos) está vendo que a casta burocrática, aplicando as Leis a ferro e fogo,  mesmo que “bem-intencionada como um funcionário caxias”, está matando o país, além de estar impedindo que esta mesma alta cúpula continue com seu jogo de corrupção com o altíssimo empresariado. Há, portanto, hoje, uma guerra de Estado contra Estado: a casta burocrática tentanto botar o alto empresariado/alta politicagem na cadeia e a alta politicagem tentando diminuir os poderes da casta burocrática. Recentemente mesmo a alta politicagem emitiu medida provisória para afrouxar as leis da casta burocrática, livrando o alto empresariado da cadeia e da falência. 
A alta cúpula estatal político/governamental também vem fazendo várias gestões para tentar diminuir as benesses e os poderes da casta burocrática, p. ex., contestação de auxílio-moradia, das altas incorporações salariais, isonomias, indexações verticais, previdência especial, etc. 
Comente este artigo.

segunda-feira

Idosos e suas famílias



Crescer e viver cultivando hábitos saudáveis, praticando exercícios físicos, num perfeito equilíbrio entre nossa mente e nosso corpo, é um dos segredos da longevidade. Também é a melhor receita para um sereno envelhecimento, facilitando a convivência entre os idosos, suas famílias e cuidadores.
 Os latinos já pregavam que uma mente sã em um corpo são (mens sana in corpore sano) é fonte de bem-estar e felicidade ao longo de todas as fases de nossas vidas.
Em nossa correria diária, divididos entre o trabalho, os estudos e uma lista sem fim de compromissos, em busca do sucesso profissional e do bem-estar de nossos filhos, muitas vezes nos esquecemos de nós mesmos e do quanto é importante cuidar do nosso eu interior e do nosso corpo.
Temos que ter a consciência de que, quanto mais nos esforçarmos hoje para sermos amanhã idosos sadios, menos trabalho daremos para nossos familiares e cuidadores, além de podermos transformar nossa velhice em um tempo de profundas alegrias, na convivência com os netos e amigos.
 Em seu livro Convite à felicidade, que acaba de chegar às livrarias, o mestre japonês Ryuho Okawa diz que “sentir-nos felizes com o que temos é o segredo da felicidade máxima. Estarmos satisfeitos é amar nossa vida, abraçá-la por aquilo que é e aceitar que todos temos vidas únicas, só nossas. Fomos abençoados com muitas coisas que merecem nossa gratidão, o que inclui cada dia de nossa vida”, mesmo quando formos acometidos por doenças graves.
Tanto precisam ser compreendidos os cuidadores como os idosos que estão sendo acolhidos - que, em geral, tendem a se considerar um “estorvo”, com frases como “estou sempre atrapalhando vocês”. É preciso que a família saiba cultivar um ambiente de alegria, de sorrisos e de bom humor. “Seja qual for o problema que tenhamos de enfrentar, seremos capazes de superá-lo se o aceitarmos com humildade, aprendendo com ele e compreendendo seu significado”, diz Okawa ainda em Convite à felicidade.

Comente este artigo.

domingo

O centésimo órgão


Ele faz parte do corpo feminino. Sua função é essencialmente protetora, serve para rebater todas as intempéries, provenham elas do clima ou das tempestades da mente. Ele é mais um dos mistérios do corpo da mulher que, nas palavras do maledicente Millôr, é um monte de carne com dez buracos, enquanto o homem, em desvantagem, só dispõe de nove.
 Dizíamos que ele protege, mas não só, ele também embeleza, o que o torna um fator de equilíbrio da própria autoestima, condição que demonstra que ele não é nada desprezível.
Dizem os pesquisadores que a mulher dele lança mão em quaisquer circunstâncias, nas quatro estações, seja dia, seja noite, faça chuva ou faça sol. Por ser o centésimo, não se pense que ele é menos representativo que os noventa e nove órgãos que o antecedem, bem ao contrário.
Segundo alguns, ele mereceria mesmo o primeiro lugar nessa orgânica lista feminina, pois além de trazer-lhes ampla segurança, é o único componente do seu ser que é por elas lembrado diuturnamente.
Sobre os demais órgãos elas podem passar por alto, sobre ele, não. Mais ainda, ele guarda a curiosa propriedade de estimular nelas o sentido bíblico da compaixão: os cuidados para com o próximo se lhes é multiplicado, enquanto nos homens se dará no máximo modesta soma, por carecerem do órgão estimulante.
                          
Historicamente, a atenção, os cuidados, a onipresença dele na vida da mulher passa de mãe para filha desde tempos imemoriais.
Egiptólogos de avançada acreditam reconhecer sua presença em registros da escrita cuneiforme, ao que parece com as mesmas funções contemporâneas, o que não é nada surpreendente, dizem, dada a função materno-protetora, presente desde o nascimento de cada uma e desde que Eva saiu do paraíso.
O centésimo órgão: o casaquinho.

Comente este artigo.

sábado

Construindo um sentido para a vida


Um movimento dinâmico de construção e reconstrução de si mesmo
Educar as crianças e os jovens é uma nobre missão e um grande desafio que pais e educadores enfrentam no seu dia a dia, nesta sociedade globalizada, em que os relacionamentos se tornam cada vez mais complexos, as individualidades prosperam e costumes antes muito valorizados deixam de ser, contribuindo para uma certa anestesia social, um descompromisso com o outro, um descompasso relacional.
Por isso, é sempre bom procuramos valorizar, priorizar, enfatizar aquelas posturas que dão norte saudável aos relacionamentos, e contribuem positivamente para que a vida seja mais leve, mais agradável e com mais qualidade.
Jung MoSung escreveu que é preciso assumir um sentido para a sua vida para que as coisas e pessoas possam ser “organizadas” dentro de sua visão do mundo. Sem um sentido último da vida, nós não conseguimos estabelecer uma certa direção para a nossa vida. E acrescenta que é por isso que pessoas que não encontraram o sentido para a sua vida se sentem perdidas e têm muita dificuldade em articular os fatos e experiências da sua vida. (Educar para reencantar a vida – 2007)
A alegria é a força que contagia as pessoas e melhora os ambientes,  tornando-os lugares de aconchego, ternura, carinho, e valorizando as maravilhas da criação e da cultura humana, exaltando os acontecimentos que aquecem o coração e conduzem à paz.
Paulo Freire acrescenta que “a minha abertura ao querer bem significa a minha disponibilidade à alegria de viver. Justa alegria de viver, que, assumida plenamente, não permite que me transforme num ser “adocicado”, nem tampouco num ser arestoso e amargo.”. (Pedagogia da autonomia – 2000)
A amorosidade é, também, tema recorrente em Paulo Freire, que relacionando amor e diálogo,  escreveu: Sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo. (…) Ao fundar-se no amor, na humildade, na fé nos homens, o diálogo se faz uma relação horizontal, em que a confiança de um polo no outro é consequência óbvia. Seria uma contradição se, amoroso, humilde e cheio de fé, o diálogo não provocasse este clima de confiança entre seus sujeitos. (Pedagogia do Oprimido – 1987)
Mas, por que relacionar “alegria“, “amorosidade” e “diálogo” com “sentido de vida”?
Sentido de vida não se “busca”. Sentido de vida se constrói. Para se construir um projeto de vida deve-se sonhar, planejar e viver em um movimento dinâmico de construção e reconstrução de si mesmo.
Nada disso se faz sem a necessária alegria que deve estar sempre presente nos encontros, nos reencontros, na partilha, na convivência fraterna, no respeito mútuo, ou seja, nos diálogos. O afeto, a alegria, o sorriso nos lábios, o brilho no olhar são fatores catalisadores de relações sadias, autênticas, amorosas, construtivas e sementes de reciprocidades promissoras.
Precisamos de líderes cristãos que realmente vivam a Boa Nova e sejam verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, para juntos promovermos as mudanças que a sociedade requer. Isso se faz melhor com alegria, amorosidade, diálogo e, principalmente, com sentido de vida bem construído na nossa individualidade; desta forma, poderemos colaborar para um sentido mais significativo de vida para todos.
A educação, na escola e na família, entre outras finalidades, deve ajudar o educando a criar, a inventar, a construir um sentido para a sua vida e a torná-lo uma pessoa do bem e comprometida com a construção de uma sociedade melhor.
Assim, talvez, tenhamos menos jovens procurando sentido para suas vidas na adesão a propostas inconfessáveis e ou socialmente destrutivas.
Comente este artigo.

A servidão ao longo da história do mundo


O sofrimento da sociedade se deve a má administração dos negócios públicos

Servidão feudal ou ao estado, qual a pior leitor? Pensando bem, ambas são negativas, ruins, contudo, a condição de serva do estado, com a liberdade de expressão atual é mais tolerável. Acontece que, caso a sociedade não fique sempre atenta, num cochilão, pode ser usurpada dos brasileiros. O ex-presidente Lula vivia implicado com ela, queria censurá-la, contudo, nada conseguiu, mas, como discorria acima, com a liberdade de expressão que temos bastante saudáveis, é preferível à servidão da era feudalista. Essa situação a que chegou a sociedade, sem querer querendo, veio, imperceptivelmente, por falta de cultura política.
Entretanto, a culpa, falta de cultura política de nossa gente, está consubstanciada à sucessiva geração de governantes, desde o Império aos de agora, três décadas de gestores públicos eleitos pelo voto secreto, todavia, mascarado pelo baixo nível cultural, prossegue subserviente, leniente, decadente, ao passo que deveria ser, há muito, consciente, sapiente, independente, sublimado de altivez, pois, assim sendo, tornar-se-ia um tônico substancioso para revigorar a saúde da democracia, na atual conjuntura, um tanto enferma. Em virtude desse estado lastimável considero a crítica libertária vital, porquanto, o propósito é o de despertar, de fato, o povo, comunidade, sobre a situação a que chegou, de serva do estado, em termos mais contundentes, virtual burra de carga do estado papão, ao mesmo tempo, burra de carroça dos governantes, ocupantes do poder público.
No processo eleitoreiro atual, leitores, raros são os que se candidatam para servir à pátria, promover o bem-estar da comunidade, a maioria, grande maioria, busca atender, seus interesses pessoais, calcados na paixão, egoísmo, enquanto que, na esfera pública, deve prevalecer à razão, razão cavalgando a paixão. O negócio começa com as campanhas nababescas financiadas por empresas privadas, com a providencial proibição, pelo STF, desses donativos, terão que contentar com o fundo partidário, fundo este, de repente bilionário com a verba pública da propaganda gratuita.
Vale a pena apostar tudo leitor, na eleição, pois, além dos proventos de príncipe, príncipe invejável, agrega-se por natureza, as mordomias, demais, verbas e mais verbas, para manter em torno de si, um grande número de funcionários. Os privilégios não param aí, senão atente para o recente Mensalão e atual Petrolão, aprofundando as investigações é possível que todos congressistas tenham sido contemplados, mamaram nas tetas generosas da Petrobras. A má administração dos negócios públicos acabou descambando na atual crise econômica, na qual a sociedade contribuinte, sem nenhum protesto, por falta de politização, acaba pagando a conta. A crítica, não há como ignora-la, é dirigida aos que estão no poder, toda sua patota, fossem outros os ocupantes, estariam de igual forma, ludibriando a sociedade contribuinte, praticando os mesmos desatinos.
Por isto, além do controle público que começa a funcionar, a sociedade, para solapar a república do faz de conta, faustoso bem-estar deles, contratados pelo voto, libertar-se da condição de sua virtual burra de carroça, terá, imperativamente, que sair da inação para a ação, arregaçar as mangas, mobilizando as instituições classistas, para o exercício do controle externo, aquele feito pelo o Ministério Público, Tribunal de Contas, STF, este, a carecer de organização, constituído pelos contribuintes de impostos, tendo a imprensa como maior aliada e, a princípio, as instituições classistas. Porém, cada município deve ser instado a organizar sua entidade cívica de controle da gestão pública, propugnando por parcimônia, transparência, na arte de governar o município, poder de analisar contas e aplicar sanções, se necessária. Em assembleia, pelo menos uma por ano, indicar representantes, legitimados pelo voto, a outra assembléia, no âmbito estadual, de igual forma, a assembleia estadual, indica representantes a uma assembléia nacional, com idêntico propósito e poder legal.
Controle interno de um lado: esfera pública, controle externo do outro: esfera civil, ambos cônscios de seus deveres cívicos e legais, atuantes, vigilantes passarão a ocupar o espaço vazio de vigilância, onde, atualmente, pululam corruptos e corruptores. A luz da parcimônia, transparência de ambos os controles: público e privado, de forma ordeira, legal, passarão a escorraçar varrer as trevas, onde medra como erva daninha, a corrupção, colocando farofa no ventilador daquele dueto, ora, reinante nos bastidores da esfera pública, entre corruptos: eu de cá, você de lá, as tuas mutretas não vou conta, que é, também, para você não me dedura.
A delação premiada começou a aluir os pilares do dueto, em voga, o sistema de controle cruzado: ambos lados, uma vez institucionalizado, fará, como o Iluminismo fez, ao destronar o rei, figura divina, a dissolução da subcultura corruptora reinante, nas esferas públicas dos municípios, estados e país. O olho do dono é que engorda o boi, um dito popular realístico, não há como pensar em gestão pública honesta, sem o olho do contribuinte de impostos, por isso, vem pagando tributos de primeiro mundo, a nossa carga tributária é quase igual a da Alemanha, país de primeiríssimo mundo, veja lá, o grau de conforto de seu povo e a ajuda que vem prestando aos países da comunidade européia, em especial, Grécia, e aos refugiados da ditadura imperante na Síria.
Em nosso caso, o estado montou uma estrutura arrecadadora próxima da excelência, merece aplauso, todavia, na hora de aplicar os tributos arrecadados, o faz da forma mais perdulária possível, na gíria, de forma porca. Em consequência disso, instituído, para servir a sociedade, usurpou essa prerrogativa de servo, tornando-a sua serva, mais do que serva, sua burra de carga, burra de carroça, como dito acima, dos governantes, em sua quase totalidade, corruptos e corruptores. Em meio a toda a trama diabólica dos inimigos da democracia, de forma diferente da Síria, Cuba, ditaduras em ruína, temos a liberdade de expressão, de pensamento, direito de ir e vir, a imprensa como nossa maior aliada, com sua participação vigorosa, na apuração de toda sorte de processos nocivos ao erário público.
Pegando carona com essa aura, a nação, fundada em Spinoza e Kant, está a carecer de um freio para frear a vontade egoística da atual geração de governantes, induzindo-os a abraçar a vontade universal, acessível e aceitável por cada um e válida para todos. Esse freio pode ser efetivado, materializado, pelo sistema de controle interno e externo, conjugados e atuantes, atuantes mesmo, afugentando as trevas da má gestão, com a luz da transparência administrativa na esfera pública, mostrando, de dedo em riste (controle), a luz no final do túnel.
Couberam as gerações dos tempos idos, Bandeiras e Bandeirantes, promover a nossa grandeza horizontal, estendendo nossas fronteiras do arroio Chuí, ao Oiapoque, divisa com as Guianas, do Atlântico aos contrafortes dos Andes, tornando nosso país gigante pela própria natureza, no plano horizontal, como se canta no hino nacional. Como dívida de gratidão às gerações dos tempos idos, cabe a geração atual e do amanhã, promoverem, agora, a nossa grandeza vertical, que é a construção, como reza o lado bom da política, do progresso e bem-estar de todos brasileiros, libertando-os das garras das aves de rapina enquistadas no poder público. Promovendo sua emancipação, não pela política de pão e circo atual, como fazia os imperadores Romanos, mas sim, pelo trabalho produtivo – eleito de Deus – na vida econômica da Nação, Rememorando ensinamento milenar de Lao-Tsé: Se você der um peixe a uma pessoa, ela se alimentará, por um só dia, e acabará morrendo de fome, mas se você ensina-la a pescar, financiando-lhe a vara, ela se alimentará por toda a vida.
Dessa forma, os governantes terão que substituir o paternalismo, capacitando as famílias de baixa renda, a ganhar o pão de cada dia, com o suor do próprio rosto, trabalho calcado na produtividade, o danado é que, o primeiro rende votos, o segundo, na dica de nada, mas o controle constitui a salvaguarda, para solapar a servidão ao estado, fazendo-o, como foi instituído a priori, servo da sociedade mantenedora, sua razão de ser….
Comente este artigo.

sexta-feira

Falta motivação ao Ensino Médio


A valorização do trabalho cooperativo na busca do ensino de qualidade

Depois de 20 anos de implantação da Lei nº 9394/96, o sistema nacional de educação se apresta para colocar em funcionamento a Base  Nacional Comum para o Currículo(BNC), possivelmente uma forma de motivar adequadamente o nosso alunado. Metade dos jovens de 15 a 17 anos, em nosso país, está fora da escola por absoluto desinteresse.  Os livros oferecidos pelo Poder Público devem conter o máximo de transparência, a fim de tentar reverter esse quadro.
Nos últimos 14 anos, o Brasil perdeu 360 mil matrículas no ensino médio. A queda se deve, entre outras razões, ao envelhecimento da população em idade escolar, o que deve-se repetir nos próximos anos.
O atual ensino médio não agrada aos estudantes nem serve ao povo, para repetir o que dizia Lourenço Filho. Com a implantação da BNC, a partir de 2016, o MEC irá sugerir 60% de conteúdo fixo, ficando os outros 40% por conta de estados e municípios.  Assim se poderá modernizar o ensino médio, com um currículo flexível. Os alunos escolherão o que estudar, com uma oferta que levará em conta características regionais e até mesmo possibilidades do mercado de trabalho. Haverá maior coerência  nos estudos.
Para assegurar efetividade, é essencial que os professores sejam mais bem formados e que recebam, em contrapartida, uma remuneração  compatível com o relevo da sua missão. Esse é um aspecto fundamental.
Temos 507 mil docentes no ensino médio. Cerca de 40% desse total irão se aposentar nos próximos seis anos, agravando o tamanho da crise.  Faltam professores de Matemática, Física, Química e Biologia. A Resolução nº 2/2005, do Conselho Nacional de Educação, procura corrigir as deficiências das licenciaturas, mas não prevê a formação de professores para o ensino técnico, como se ele não existisse. É uma grande deficiência que precisa ser corrigida, assim como a construção de bibliotecas e laboratórios.
O salário médio do professor brasileiro representa pouco mais da metade do salário de ingresso na carreira na União Europeia e pouco menos da metade da remuneração inicial nos Estados Unidos.  É uma defasagem muito grande.
Um  acordo com o Sistema “S” está sendo costurado, a fim de alavancar o Pronatec. Prevê-se que em 2016 entidades como o Senai, o Senac, o Sesi e o Sesc deverão contribuir com 25% dos seus recursos, o que dá  cerca de 5 bilhões de reais, para oferecer serviços como o Pronatec e o Ciência sem  Fronteiras, que hoje conta com 32 mil estudantes brasileiros nas melhores universidades do mundo.
Essa parceria poderia ensejar habilidades e competências aos alunos segundo suas escolhas pessoais. Dessa escolha deve fazer parte também o sistema intitulado Cefet, de grande prestígio nacional.
Para tornar tudo mais efetivo, deve-se abandonar no currículo o superado sistema de matérias, valorizando-se o trabalho cooperativo, em ciclos, um dos quais  poderia ser destinado ao ensino profissional. Assim chegaremos ao ensino de qualidade, de que andamos tão necessitados.
Vale uma referência ao Enem, que hoje galvaniza o interesse de 8 milhões de jovens.  É uma avaliação muito bem-sucedida, que substituiu o ultrapassado sistema de vestibulares. Temos também a esperança de que a educação à distância seja também de extrema utilidade no ensino médio brasileiro.
Comente este artigo.

Ainda sobre o preconceito de cor nas cotas raciais

O dever do Estado é manter as regras constitucionais, fazer com que elas são cumpridas

Quando foi editada a Constituição Federal de 1988, o constituinte, logo no artigo 3º, teve o cuidado de preservar os direitos sociais e deixar expresso que os objetivos fundamentais daquela reforma constitucional, entre outros, era o de construir uma sociedade livre, justa, solidária e promover o bem de todos, sem preconceito de origem, ou de raça, cor e outras formas de discriminação de pessoas.
Já, no artigo 5º ficou prescrito um importante e que tornou o mais badalado e conhecido texto da Constituição, onde diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Deixou estabelecido também que não será tolerável a prática de racismo e que ato desta natureza constitui crime inafiançável. Aliás, segundo os dados históricos, este é um mau costume que já existe aqui no Brasil desde a antiguidade.
Mas, mesmo depois que foi estabelecido a regra constitucional, implantando, definitivamente no País a igualdade social, sem distinção de qualquer espécie, ainda assim, o próprio Estado Brasileiro, através de simples lei ordinária e específica, estabeleceu diferenciação entre as pessoas de raças, com a implantação de quotas, com número limitado de estudantes de cor negra para ingressarem nas universidades e de pessoas com os mesmos caracteres somáticos para participarem de concursos públicos.
Enquanto que, como é por demais sabido, o dever do Estado é manter as regras constitucionais, fazer com que elas são cumpridas e não modificá-las por meios inadequados, como ocorreu. O mais estranho e inexplicável ainda é que, em julgamento de Ação de Inconstitucionalidade proposta contra tais medidas, os membros que compõem a Corte Suprema de Justiça  entenderam que, por se tratar de medida de caráter transitório, não constitui ofensa ao princípio constitucional.
Mesmo depois da divulgação do entendimento do STF, ainda assim, continuo discordando das tais cotas raciais e com o mesmo entendimento jurídico já expressado anteriormente em outros artigos, pois a referida decisão não alterou o meu ponto de vista, segundo o qual as tais medidas ferem o princípio de igualdade editado na Constituição Federal. Por isso, sigo com o mesmo raciocínio e convicto de que a  limitação do número de pessoas de cor negra para que elas possam exercer os seus direitos fere os princípios editados na Carta Magna e, com isso, elas  deixam de ser “iguais perante a lei”.
Comente este artigo.

quinta-feira

Educar para a solidariedade

Um sentimento que deve ser incorporado no cotidiano

Na manhã do dia 24 de janeiro de 2016, domingo, diante de uma multidão de fieis presentes na Praça do Vaticano, o atual líder da Igreja Católica partilhou um verdadeiro presente com todos os presentes: “Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho com a Palavra e, primeiramente, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de todos os seus membros”. E continuou com fervor: “Observa-se que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás, privilegia os que estão distantes, os sofredores, os doentes, os descartados pela sociedade”.
Tais afirmações do Papa de nome Francisco (assim chamado para se assemelhar ao outro Francisco, o de Assis) veio perfeitamente ao encontro do término de uma importante atividade promovida pela Instituição Marista nesse primeiro mês do ano: a Missão Solidária Marista (MSM). Existente desde 1985, a MSM tem por objetivo a educação para a solidariedade, na perspectiva do aprendizado recíproco e dialógico, por meio da imersão em realidades sociais desafiadoras, sobretudo de vulnerabilidade social. Participam jovens Maristas a partir de 16 anos e pertencentes a diversas realidades (alunos e ex-alunos de colégios particulares, unidades sociais e universidade).
Neste ano a MSM aconteceu simultaneamente em quatro localidades: Caçador (SC), Curitiba – Bairro Fazendinha (PR), Paiçandu (PR) e São Paulo – Itaquera (SP). Ao todo, estima-se a participação de aproximadamente 450 pessoas, dentre jovens, colaboradores e Irmãos Maristas. Ademais (e de difícil mensuração), houve também a presença mais que significativa dos moradores e familiares das regiões escolhidas para a missão, uma vez que ela nada mais é que uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que almeja estimular o olhar crítico e a espiritualidade sociotransformadora dos jovens participantes, a missão também busca provocar o sentimento de união da comunidade, para que deem continuidade às ações realizadas e busquem lutar pela garantia de seus direitos junto ao poder público.
E por falar em ações, elas são estabelecidas anteriormente, mediante diálogo entre equipe de coordenação e líderes comunitários, a fim de que façam sentido às pessoas que ali vivem. De maneira geral, as atividades de uma MSM são: visitas missionárias às casas dos moradores do bairros, a fim de missionários e familiares partilharem a vida; oficinas socioeducativas com crianças, adolescentes e jovens; revitalização de algum espaço comunitário, como forma de retribuição à comunidade por acolherem a MSM; além de momentos de espiritualidade e de formação, com o enfoque na discussão referente a análise de conjuntura, políticas públicas e sistema de garantia de direitos. Todas as ações alinhadas ao que foi solicitado pelo próprio Papa Francisco: “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG, 20).
O grande desejo do Grupo Marista com a promoção de uma atividade como essa é a de que esse participante, ao retornar a sua realidade, incorpore cada vez mais a solidariedade em seu cotidiano: seja por meio de mudanças de comportamento; no refletir do projeto de vida; na capacitação de um profissional humanizado; no engajamento em organizações não governamentais; no envolvimento com movimentos sociais ou, até mesmo, em outros projetos de voluntariado espalhados pelo mundo. 
Espera-se também a reflexão crítica que o permita indagar-se sobre alguns porquês, como, por exemplo, dos mecanismos existentes que geram pobreza ou desigualdade. E de como combatê-los. Ou, ainda, a principal de todas as indagações: “até quando necessitaremos de projetos para tornarmos a solidariedade algo comum em nossa realidade? Será que um dia a solidariedade será tão encarnada que nem mesmo a pobreza existirá?”. Resta acompanhar essa importante educação para a solidariedade!
Comente este artigo.

quarta-feira

Onde está a sombra de minha luz?


A luz que ilumina a nossa vida, pode não ter sombra e nem refletir-se na parede

Não é de hoje que fico encabulado quando vejo a inexistência de sombra da luz. Desde menino era curioso quando via a luz de uma vela não se refletir na parede, mas hoje, que já passei da idade dos contrários, chegando à idade do complementar, assim como, de entender essas coisas e olhá-las de outro modo é que, momentaneamente, comecei a lembrar dos tempos idos quando via alguém acender uma vela ou lamparina.
Olhava rumo à parede para constatar se a sombra da luz nela se refletia, mas nada acontecia deixando-me confuso. Recordei que aquela pessoa dizia algo contrário ao que eu pensava, no entanto, já era capaz de entender aquele contrário como complementar e ver crescer em mim consciência e compreensão, além da razão da não existência de sombra da luz.
Todavia, hoje, sei que ao invés de rejeitar ou negar alguns elementos obscuros, ainda desconhecidos por mim, sou capaz de acolhê-los porque só assim tornar-me-ei mais inteiro.
Nem é questionável ir por outros caminhos, pois sabemos que é a sombra que dá relevo à luz. Acenda-se uma pequena vela num quarto escuro e verás. Quanto maior a vela, maior é o relevo. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos, relevantes ou não. É fácil amar os defeitos de nossos de nossos filhos, netos ou entes queridos. O difícil é amar os defeitos de estranhos, principalmente se adultos.
A luz do amor não tem sombra a não ser que você o construa de outra maneira e o faça ser diferente. Dar a ela um enorme alicerce e o direito de experimentar de sua sombra a liberdade, isso seria bom, assim como, de experimentar a capacidade de amar o que é amável e de amar também, o que não é amável, porque essa luz pode estar sendo refletida na parede de sua vida. Dessa maneira passará de uma vida submissa para uma vida escolhida.
A luz que ilumina a nossa vida, pode não ter sombra e nem refletir-se na parede, mas vale pelo olhar benevolente que pomos sobre nela. Por exemplo: O olhar sisudo de um chefe nos enche de culpa, mas dependendo da sua decisão em relação a nós, podemos receber dele esse olhar benevolente, misericordioso e ao mesmo tempo, justo.
 Não precisamos de sombras, mas de luz sim, assim como, precisamos também desse olhar justo, porque todos nós temos necessidade de sentir esta luz verdadeira e de sermos amados. Por vezes, alguns olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a luz que tanto procuramos que pode até serem sombreados, mas verdadeiros.
Existem olhares que se colocam sobre nós que são plenos de verdade e justiça, mas sombreados, faltam-lhes a luz, a misericórdia e o amor. Existe um olhar integral do qual temos necessidade de nos enxergarmos tal e qual somos, porque a inexistência de luz é uma verdade sem amor, é inquisição, e o amor sem verdade, é permissividade.
Quando intitulei esta crônica: “Onde está a sombra de minha luz”, o fiz com o propósito de abrir uma discussão, pois a luz pode ser você sendo refletido na parede e cada um que a ler, poderá formatar sua luz e entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida, em primeiro plano, a luz, ou alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela.
Eu acredito que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas dessa luz com o poder de refletir-se ou do tal olhar iluminado pousando sobre nós.
Com essa reflexão podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo,  nossos desejos e medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência acoplada com nossos conhecimentos e nossas ignorâncias. Sob este olhar sem sombras, a nossa vida pode crescer e nos indicar onde está a sombra de nossa luz.
Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona diante de gestos que se refletem na parede, faz-nos ficar inertes, enquanto que o outro olhar nos impulsiona, diante das imagens, a dar um passo adiante e saber o que os outros têm de nós
Comente este artigo.