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quinta-feira

Sobre recompensa e castigo

Espero que Dostoievsky não revire no seu túmulo vendo que estou surrupiando o título de uma de suas obras primas “Crime e castigo”. De qualquer forma, a distância enorme entre um e outro escritor fará que, provavelmente, ele nem se importe.

A vida traz suas próprias recompensas. Santo Agostinho diz que aquele que teve uma boa vida não deve temer à morte. Já minha avó dizia: “Semeia ventos e colherás tempestades”.

Recompensa, de acordo ao dicionário significa: gratificação, retribuição, compensação, prêmio, etecetera.

 Castigo, es: punição, apenar, condenar, etecetera.

Em outras épocas era demorada a obtenção da recompensa ou retorno pelos nossos esforços. Hoje em dia a sensação de recompensa deve ser imediata ou em muitos casos, deve ser antecipada, ou seja, nos oferecem a recompensa antes do esforço. Meus alunos, por exemplo, quando peço um trabalho extra, antes de saber do que se trata perguntam: Vale nota?

 Acredito que os adultos já perguntam: E o que ganharei com isso?

Também há diferentes tipos de recompensas, quase tantas como tipos diferentes de personalidades.

Conheço pessoas que dariam a vida por receber medalhas, outras por ter reconhecimento público de alguma ação, tem também aqueles que somente funcionam a dinheiro, e não podemos esquecer os que funcionam por motivações privadas e íntimas, como a de um senhor que conheci quando necessitei alugar um apartamento.

Essa história merece ser contada:

 Não tinha intermediários, devia tratar diretamente com o dono, marcamos uma entrevista e nos chamou a sua casa. Era um senhor idoso, com mais de 80 anos, morava com sua esposa (uns trinta anos mais nova) e um enteado, que estavam a todo instante como vigiando este homem.

 Num momento da conversação manifestou que já tinha 94 apartamentos (se a memória não me trai) e que sua maior ambição era chegar aos 100 apartamentos antes de morrer.

Não alugamos o apartamento, eram pessoas muito complicadas, parecia que assim como a recompensa do homem eram as cem propriedades, a recompensa da esposa e do enteado era esperar pela sua morte.

Quando uma ação tem uma recompensa positiva, ótimo, mas quando é negativa devemos ter cuidado. Muitas vezes, através das recompensas que não são nada mais que promessas, nos levam por caminhos que não queremos realmente transitar ou que não escolheríamos.

Muitas vezes as recompensas que procuramos ou almejamos podem se transformar em castigo. Nunca esquecerei uma vez orava pedindo a Deus que me desse muita paciência, e nada, os problemas continuavam chegando e minhas orações pareciam que não eram ouvidas. Um dia decidi queixar-me ao padre da minha congregação.

- Padre, Deus não ouve minhas prezes.
 - Tem certeza, meu filho.
 - Sim, peço, peço paciência e nada, continuam chegando os problemas e nada de chegar a paciência.
 - Meu filho, Deus está atendendo tuas prezes, a única forma de aprender a ser paciente é resolvendo problemas.

A partir desse dia descobri que devemos ter cuidado quando pedimos alguma coisa a Deus. Ele sempre nos atende, mas não como nós pensamos. Em cada fato de nossa vida devemos procurar as respostas aos nossos pedidos.

 Deus sempre nos dá o que pedimos, mas cuidado que podemos não reconhecer a embalagem na qual vem nosso presente. Podemos confundir recompensa com castigo e vice-versa.

 Boa reflexão.

Por: Ricardo Irigoyen

domingo

O álcool de minha avó...

Minha avó sempre recomendava após a picada de um inseto: “Passa álcool”. Tinha aprendido com a mãe dela, minha bisa.

O vidro de álcool, hoje de plástico, ficava bem à mão e servia de remédio para um monte de coisas com suas mil e uma utilidades, como essa palha de aço da propaganda.

De repente vinha aquela coceira incômoda ou a vermelhidão no braço ou no pescoço – e dá-lhe álcool líquido. Ardia, mas resolvia.

Minha avó conhecia bem as propriedades antibacterianas, antissépticas e desinfetantes do álcool – e passou a sabedoria à minha mãe, que repassou à minha irmã, que a repassará à filha, que vai explodir e passará para o outro mundo, segundo a Anvisa, que pretende proibir o produto em questão. Mas ai é outra história, como se verá.

 O álcool canforado, então, era remédio pra tudo. O milagre da solução caseira se fazia ao jogar umas pedrinhas de cânfora no álcool bom, de 96 G/L (92.8 INPM) - não esse gel a 46 G/L, usado para higienizar as mãos em hospitais; tão fraquinho, mas tão fraquinho, que nem fogo acende.

Depois, o álcool forte servia para tudo: frieira, dedinho quebrado, galo na cabeça, dor de ouvido, resfriado, mau jeito nas costas. Qualquer coisa era tratada (e quase sempre curada) com álcool canforado. Tiro e queda. Mas o álcool puro, como sabe toda boa dona de casa, é o número um entre os produtos de higiene e limpeza. Não há mancha, qualquer que seja a superfície, que resista ao álcool 96 G/L.

Conhecido pela Humanidade há mais de oito mil anos, o álcool é usado em bebidas como cerveja, vinho ou cachaça e na indústria de perfumaria.

E, claro, como combustível – nesse caso, um bem para a natureza, uma fonte de energia renovável, ao contrário dos derivados de petróleo.

" Evidente que o álcool, como bebida, é um perigo e vale o conselho: moderação. O alcoolismo nada cura, apenas apressa a caminhada nesta passagem pela terra."

Não é o caso nem devemos misturar usos e costumes entre o álcool caseiro e o das bebidas. O fato é que a Anvisa investe mais uma vez e prega a abolição do álcool 96 /GL para o público.

Alega que a garrafa de álcool pode explodir e causar sérios acidentes. Pessoas descuidadas essas que não sabem do alto poder de combustão do produto. Como o leitor sabe bem, notícias de acidentes com álcool são raríssimas: de minha bisa até os dias de hoje, nenhum acidente ocorreu em nosso quintal.

 A Anvisa deveria ampliar os horizontes de seu interesse, caso queira mesmo proteger a saúde dos brasileiros: poderia começar por recomendar a retirada das portas dos armários de cima das cozinhas - uma topada de cabeça com a quina de uma porta é terrível. Mais ainda a trombada com a quina de uma tampa de mármore da pia no banheiro, uma das causas mais comuns de acidentes domésticos. Banheira, então, maior perigo.

Cuidado: tapetes na casa provocam quedas. Então, que se proíbam os tapetes, ou as casas. Pelo menos o quesito “moradia” seria banido das promessas eleitorais.

Medida ainda mais acertada seria proibir a bebida alcoólica no País: o sistema nacional de saúde deixaria de gastar bilhões de reais no tratamento dos bêbados.

E a sociedade poderia respirar aliviada ao saber que não será mais vítima desses assassinos que, embriagados, assumem um volante e matam sem dó nem piedade. Já que a Lei Seca não resolve, Anvisa neles.

O Conselho Nacional de Saúde recomendou a aprovação do Projeto de Lei nº 692/2007, que dispõe sobre restrições do acesso e venda do álcool líquido de uso doméstico. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Seus argumentos: em 2002, a Resolução RDC nº 46 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a substituição do álcool líquido acima de 46° de porcentagem de álcool em peso ou grau alcoólico (INPM) pela versão gel e deu prazo de seis meses para os fabricantes se adaptarem ao novo formato.

 No período em que o produto parou de ser comercializado, o número de acidentes com álcool caiu 60%. O número de internações hospitalares e a gravidade das queimaduras tiveram redução de 26%. A medida foi suspensa por meio de liminar da justiça e assim é necessária a regulamentação do tema na forma de lei. A norma contribuirá para a preservação da vida de milhares de pessoas, entre elas crianças, vítimas das graves queimaduras causadas pelo uso inadequado do álcool.

 Mas o CNS não informa a base de seus cálculos: são números ridículos ou alarmantes comparados a outros acidentes domésticos da população brasileira? Sem isso, os números apresentados ficam sob suspeita. E suas intenções, mais ainda.

 Se o desejo é realmente o de preservar vidas, que se proíbam todos os itens perigosos à venda no varejo. Como facas ou desentupidores domésticos, desses à base de soda cáustica, produto altamente corrosivo, que pode produzir queimaduras, cicatrizes e cegueira. A soda cáustica está à venda livremente no comércio; em supermercados, junto a produtos de limpeza.

 Enfim, o que estranha é o casuísmo da proposta nesse quadro nebuloso da burocracia governista.

 E em vez do cheiro do álcool, a polêmica exala muito mais um cheiro de lobby.

Luciano Ornelas.

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A escola como fonte de talentos olímpicos

A recente participação do Brasil nos Jogos Olímpicos na Inglaterra e a oportunidade de sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016 reforçam a necessidade de discutir como o País deveria promover o esporte amador e investir em novos talentos.

Em 21 participações em Olimpíadas, o Brasil mantém ainda a 15ª posição como sua melhor colocação, conquistada na Antuérpia, na Bélgica, há mais de 90 anos. De lá para cá, pouca coisa mudou, principalmente no que se refere ao apoio ao esporte amador e à forma como os atletas brasileiros se credenciam às competições, quase que exclusivamente graças ao incentivo da família, amigos e treinadores.

A participação brasileira em Londres aponta outros sinais de fragilidade, em que pese à falta de incentivo que desperdiça talentos. Em Londres, dos 252 atletas, quase a metade (123) eram do eixo Rio-São Paulo. Juntas, as regiões Sul e Sudeste somavam 72,61% dos atletas da delegação brasileira, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com maioria dos estados e maior porção territorial, com 49 atletas, representavam 19,44% do "Brasil Olímpico".

Diferentemente do que acontece aqui, nos Estados Unidos, a escola tem papel fundamental na promoção do esporte amador e na descoberta de novos talentos.

É ela quem forma a base de atletas de alto desempenho e revela possíveis medalhistas olímpicos. Nas universidades norte-americanas não é diferente. Proibidas de realizarem qualquer transação financeira com equipes profissionais, as universidades promovem o esporte amador com a realização de ligas universitárias. Como retorno do investimento realizado no estudante-atleta, a universidade reforça seu marketing esportivo, fideliza alunos e ex-alunos, vende produtos licenciados e, sobretudo, consegue retorno de imagem junto à comunidade local.

 Um exemplo desse investimento é a oferta de bolsas de estudos.

 As universidades norte-americanas oferecem anualmente cerca de 350 mil bolsas de estudos, 80 mil das quais destinadas a estudantes estrangeiros.

 O esporte na escola movimenta mais de um bilhão de dólares em bolsas esportivas e ajuda financeira a estudantes todos os anos e também incentiva o empreendedorismo privado. Um exemplo disso é a criação de empresas como o Collegiate Sports of America (CSA), hoje uma das maiores e mais tradicionais no recrutamento de jovens esportistas, que há 30 anos auxilia estudantes a conseguir bolsas de estudo nos Estados Unidos.

 Recentemente, o CSA desembarcou no Brasil com o mesmo propósito, o de selecionar talentos em esportes e encaminhá-los a universidades norte-americanas. Para o jovem estudante, além da possibilidade de reunir qualificações que o diferenciam em um mercado de trabalho acirrado, a bolsa de estudos esportiva permite desenvolver a habilidade em uma das 28 modalidades olímpicas oferecidas pelas universidades americanas.

 O modelo de eficiência explica o porquê de os Estados Unidos serem uma potência olímpica e inspira a construção de uma nova realidade para o Brasil.

Por: Armando Guevara, Diretor do Collegiate Sports of America no Brasil.

sábado

Decisão de enganar alguém vem de área específica do cérebro, diz estudo

Em anos recentes, os neurocientistas descobriram que as pessoas raramente tomam decisões de maneira isolada porque são sensíveis ao que outras pessoas querem e esperam Época Muitas áreas do cérebro lidam com as tarefas sociais, mas os cientistas da Universidade Duke identificaram uma que atua especificamente na maneira de agir quando nos encontramos com um oponente e pensamos em enganá-lo, segundo um artigo publicado nesta quinta-feira pela revista "Science".

As interações sociais fazem com que o cérebro opere sob regras diferentes e podem influir na tomada de decisões, assinala o artigo. Em anos recentes, os neurocientistas descobriram que as pessoas raramente tomam decisões de maneira isolada porque são sensíveis ao que outras pessoas querem e esperam.

Pesquisador de Harvard diz: o otimismo é o maior indicador de sucesso "Uma ligação telefônica e uma conversa rápida com a mãe ou com um amigo pode nos fazer pensar duas vezes antes de tomarmos uma decisão, e pode nos dar a coragem para seguir adiante com um plano", acrescenta. Scott Huettel e seus colegas do Centro Interdisciplinar para Ciência de Decisões em Duke (Carolina do Norte) desenvolveram uma experiência na qual os participantes, que eram pessoas comuns sem experiência no pôquer, jogavam partidas virtuais contra um humano e um computador.

 Os participantes jogaram conectados a um aparelho de imagem funcional por ressonância magnética (MRIf) e, mediante algoritmos de computador, os pesquisadores escanearam 55 regiões do cérebro e puderam observar o volume de informações processadas por cada área do cérebro.

 Os cientistas verificaram que uma só região cerebral, a conjunção temporal parietal (CTP), se ocupa das informações específicas acerca das decisões tomadas contra outro humano. A CTP é uma área do cérebro no extremo posterior do sulco lateral, onde se encontram os lóbulos temporal e parietal, e que, de acordo com os cientistas, desempenha um papel crucial nos processos de distinção do eu e dos outros.

Alguns experimentos demonstraram que o estímulo elétrico da CTP pode causar experiências extracorpóreas, e os transtornos eletromagnéticos nessa área afetam a capacidade do indivíduo para a tomada de decisões morais. Em algumas partidas de pôquer da experiência em Dukek, os participantes receberam uma "mão" de cartas obviamente fraca, e os pesquisadores observaram a forma como o jogador pensava em enganar seu adversário.

Os sinais do cérebro, captados pelo MRIf, indicaram aos cientistas quando o participante pensava em blefar, se considerasse o adversário um bom jogador de pôquer. Já quando o participante jogava contra um computador, os sinais desde a CPT não indicavam as decisões que tomaria. O principal pesquisador do estudo, McKell Carter, indicou que a CPT é uma área limítrofe no cérebro e pode estar na interseção onde se reúnem as informações de atenção e as informações biológicas. Antes de começar a partida, os participantes se apresentavam e apertavam a mão de seus adversários humanos.

 Em geral, segundo observou Carter, os participantes prestavam mais atenção no adversário humano que no computador, o que é coerente com o impulso humano de comportamento social. "Há diferenças neurais que são fundamentais entre as decisões tomadas em um contexto social e um não social", indicou Huettel, autor principal do artigo. "A informação social pode fazer com que nosso cérebro jogue com regras diferentes das que usaria em uma situação não social", acrescentou.

 "E é importante que tanto os cientistas quanto os políticos compreendam o que faz com que encaremos uma situação de maneira social ou não social", complementou.

 Agência EFE.

domingo

Por que ser professor?


Porque ganhamos bem.
 Porque nosso trabalho é reconhecido.
 Porque temos boas condições de trabalho.
 Porque os governos nos recebem e atendem nossas reivindicações. Porque a maioria dos alunos se interessa e é sedenta por conhecimento.

 Se conseguíssemos responder a esta interpelação com toda esta satisfação, possivelmente não estaríamos no Brasil. Respondemos, entretanto, que somos professores porque possuímos vocação, ou porque queremos contribuir com o futuro do País, ou ainda porque acreditamos nos jovens de nossa cidade. Ninguém ingressa em um curso de licenciatura com o objetivo de enriquecer, muito pelo contrário, na educação básica pública os professores necessitam trabalhar 60 horas por semana (manhã, tarde e noite), para satisfazer necessidades básicas tais como: moradia, transporte, alimentação, água e luz. E se esse professor for mãe ou pai de família então nem se fala. 

Ganhamos pouco, e ainda por cima temos que fazer verdadeiros malabarismos para conseguir ministrar aulas. Como professor de Educação Física, a primeira coisa que aprendemos é improvisar, improvisar um cone com uma garrafa PET de dois litros, improvisar uma rede de vôlei com uma simples corda, improvisar uma quadra em terrenos baldios cedidos por vizinhos de bom coração. 

A educação pública não nos permite que seja muito diferente. Mesmo assim estamos lá, firmes e fortes, dispostos a transmitir humildemente parte de nossos conhecimentos para nossos alunos, somos reconhecidos por isso? Algumas vezes sim, porém nem sempre. Alguns alunos não se dedicam, não fazem trabalhos, matam aula, enfim, são totais desinteressados e a culpa e de quem?

 É lógico que é do professor, a aula do professor é sempre ruim, e, muitas vezes, adjetivada com expressões ofensivas, pejorativas as quais não necessitam ser citadas nesse texto.

 O professor está sempre errado, errado por querer dar aula de Educação Física contrapondo a cultura de largar a bola e tomar chimarrão, errado por fazer valer seu direito constitucional a greve, errado por cobrar interesse de seus alunos.

 Paradoxal que um professor em início de carreira esteja escrevendo estas poucas linhas, o grande problema é que a maioria de nós gosta do que faz, e tenta passar por cima de todos os percalços que nossa profissão nos impõe, sejam as portas fechadas dos governos, seja a contrariedade da opinião pública, seja o desinteresse dos alunos.

 Então, por que ser professor? Gostamos do que fazemos, talvez sejamos até mesmo masoquistas, mas não nos rendemos ao sistema, cansados, esgotados e até mesmo indignados estaremos lá, na porta da sala de aula no dia seguinte, pois lá estarão também os bons alunos, os interessados, enfim, o percentual de estudantes que nos faz acreditar nos valores da educação.

 Por. Jones Mendes Correia. 

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sexta-feira

Por quê? Para que?

Aprendo muito com meus alunos. Sempre. Esta semana olhando para as diversas atitudes e posturas deles na sala de aula lhes fiz duas perguntas: Por quê? E depois, para que? Devem ter pensado, aí vem de novo Ricardo com suas perguntas, que saco! A primeira pergunta completa foi: Por que está no colégio? Vários responderam com respostas feitas, mas que deu para perceber que não eram sinceras: para estudar, para aprender.

Mas, os que me interessavam eram aqueles que responderam: não sei, porque me mandam vir. A estes últimos não adiantava nada fazer a segunda pergunta, que fiz aos primeiros: Muito bem estão aqui para estudar ou para aprender, querem fazer isto para que?

Nesse momento poucos responderam alguma coisa concreta: para ter um diploma, para ganhar dinheiro. De repente encontrei-me diante de 40 alunos olhando para mim com a expressão de: Então professor, quais são as respostas? Respondi: caros alunos é esse o motivo pelo qual estão aqui, para encontrar respostas a essas perguntas. Por que existo? Para que existo? Por que estudo? Para que estudo? Quando encontrem as respostas para essas perguntas poderão começar a procurar as respostas para outras, como: Quem sou? Para onde vou? O interessante é que vão descobrir que quanto mais perguntas se façam e mais respostas encontrem, mais perguntas pipocarão nas suas mentes e espíritos.

Deixaram de serem seres passivos neste mundo e começaram a serem ativos porque o que move este mundo não são as respostas, mas as perguntas. A verdadeira educação não vem de dar as respostas, mas ensinar que as pessoas se façam as perguntas certas para que encontrem as respostas verdadeiras.

Enquanto vivamos numa sociedade que ensina respostas prontas, viveremos numa sociedade fast-food, tudo pronto e rápido. Ninguém vai rebelar-se, não há motivos, há respostas para tudo. Para cada inquietude o “Poder” fornece uma resposta pronta, limpa e clara. Uma sociedade que ensina a procurar por perguntas, está ensinando ao cidadão a questionar-se, e na medida, que, nos questionemos teremos o direito de questionar aos outros. Aí é que mora o perigo.

 Devemos educar muito bem, porque o ensinar a pensar é perigoso, imagina alunos questionando e perguntando ao professor: Por que isso? Para que isso? Essa postura dos alunos vai provocar uma greve de professores, porque eles vão ter que lidar com seres ativos-pensantes e não com seres passivos-recipientes. Imagina só, alunos questionando os professores, cidadãos questionando as autoridades, povo questionando políticos, seria um caos. Melhor é esquecer essa ideia, não é verdade?

Imagina se algum tolo começa a falar por aí que é importante ensinar a fazer perguntas, principalmente: Por quê? Para que? Silêncio, que ninguém nos ouça, principalmente o povo em época de eleições? Imagina só, o povo fazendo as perguntas: Por que se candidata? Para que se candidata? A propósito você: Por que e para que está lendo este artigo?

Por: Ricardo Irigoyen.

 Então? Reflita!!!

terça-feira

Preparando um bom profissional desde a infância


Assim como nunca é tarde para investir na carreira, nunca é cedo demais para formar um bom profissional, já que é nos primeiros anos de vida que se define em grande parte a chance de prosperidade intelectual e emocional de um indivíduo. 

A Neurociência Comportamental indica que, de 0 a 8 anos de idade, as crianças recebem e processam informações que serão vitais para o desenvolvimento, o aprendizado e também para a formação da personalidade. Padrões de pensamentos, comportamentos, valores, princípios, motivadores e mapas mentais são lentamente construídos nessa fase. 

As crianças que não desenvolvem suas principais habilidades pessoais nos primeiros anos de vida terão mais dificuldades em assimilar essas capacidades na vida adulta. Resumindo, a maneira como criarmos nossos filhos terá grande influência no estilo de profissionais que eles se tornarão Na adolescência, devemos nos aperfeiçoar nas matérias escolares que mais gostamos. 

Se seu filho é bom em português, incentive-o a aprender mais sobre esta disciplina. Se ele odeia matemática, convença-o a tirar nota para não ser reprovado. Dificilmente você ou qualquer professor conseguirá transformá-lo em uma fera dos cálculos. Nesta fase, outra escolha importante e que será fundamental para a vida profissional é qual faculdade cursar. O que deveria valer é a vocação da pessoa. Estudar e fazer o que se gosta, na área em que é mais habilidoso, mesmo que num primeiro momento não garanta muito dinheiro, no futuro será onde o profissional se sairá melhor e será bem sucedido. 

Ingressou na faculdade? Os estágios são fundamentais e quanto mais relacionados às aptidões e pontos fortes do estudante, melhor será o aproveitamento. Estágios são também o grande laboratório para saber se aquilo que estamos estudando tem realmente a ver com o que almejamos para o futuro. Por isso quanto antes começar melhor. 

Por fim, próximo da conclusão do curso, seria muito interessante o estudante procurar um bom programa de trainees. Nesta época do ano, estão abertas as inscrições dos maiores programas de trainees do Brasil. A concorrência é acirradíssima, mas a maioria dos candidatos não está bem preparada. As chances de quem tem um bom histórico de estágios, boas notas e é dedicado são muito maiores. 

Ter no currículo um programa de trainees de uma grande empresa já mostra que o profissional é diferenciado e certamente contará pontos para a vida toda. A conclusão é que bons profissionais são formados desde a infância e não apenas nos últimos anos da faculdade. 

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sexta-feira

O verdadeiro sentido de autoridade: Orientar sem impor


Primeiramente, o conceito de autoridade precisa ser desmistificado, sendo que é comum se ver autoridade ser confundida com autoritarismo. Considero então, necessário esclarecer esse conceito. 

 A autoridade é uma característica do líder. O verdadeiro líder é aquele que sabe dirigir outras pessoas com sabedoria, é aquele que sabe o que faz e porque o faz, colocando-se a serviço, para o bem comum. O exercício da autoridade exige maturidade para educar com senso de responsabilidade, portanto é uma tarefa que requer coragem e determinação, sendo assim é uma ação heroica. A legítima autoridade deve gerar disciplina, e a disciplina visa à liberdade interior, a capacidade de criar, de aceitar a ação correta, gerando assim a responsabilidade. Responsabilidade é o reconhecimento da autoria de seus próprios atos, assim como a aceitação das suas consequências.

 O grau de liberdade para aceitação de um ato, é que determina o seu grau de responsabilidade. Sem liberdade não há autoconhecimento. Devemos ser livres para ter capacidade de crescer e assim assumir riscos. Liberdade e obediência se conjugam harmonicamente em disciplina. Na medida em que a criança aprende a assumir a autoria de seus atos e as suas consequências, torna-se responsável. Sendo assim, a criança só aceita bem a sansão quando se sente responsável pelos seus atos.

 O papel do educador é ajudá-la nesse processo, e não simplesmente recriminá-la. Para que haja o reconhecimento da autoridade dos pais é preciso que se estabeleçam relações hierárquicas dentro da família. É importante deixar claro, qual é o papel da criança, assim como dos pais, na dinâmica familiar.

 Os pais estabelecem as regras e os filhos as cumprem. As regras são necessárias para que a ordem e disciplina se instalem no convívio familiar. Uma vez estabelecidas, não se pode mais voltar atrás. Por esta razão elas devem estar fundamentadas em princípios sólidos e morais dominantes na família. As regras servem para evitar os erros e potencializar os acertos, e não para submeter. Os erros e a inversão da posição dos membros na família, como ocupar o lugar do pai ou da mãe na cama, decidir a hora se dormir, tomar decisões que compete aos pais, decidir o que quer e como quer fazer algo, o que quer comprar, o que quer e como quer comer, onde e como quer ir e vir etc…, desarmonizam as relações causando desgaste e tensão em toda a família por transferir para a criança um poder que não é dela.

 Vale lembrar que opinar ou fazer escolhas é diferente de decidir. A palavra final é sempre dos pais, pois são eles que devem saber o que é bom e necessário para os filhos. Desta forma, os pais estarão exercendo a verdadeira e legítima autoridade, e a ordem, harmonia e disciplina certamente reinará na família. 

Em contra partida, o autoritarismo é cego, leva à obscuridade, à servidão, à submissão, à dependência, pondo na alma da criança o gosto amargo da derrota, gerando assim, a ausência da vontade. O autoritário somente dá ordens, não respeita, não deixa espaço para o diálogo, faz uso de ameaças e promessas, ficando ainda pior, se não forem cumpridas. A ameaça é a arma do covarde, do fraco, para conseguir o que deseja. (o bulling é o retrato disso). 

Ameaçar, prometer e castigar não traz o resultado desejado na educação, e denota fraqueza, pois são sinais de incompetência, de impotência para exercer a autoridade, além de gerar na criança, sentimento de inferioridade e de culpa, sentimentos estes altamente nocivos para a sua autoestima. A culpa gera medo e o medo paralisa, gerando impotência. A punição gera culpa, a culpa produz frustração permanente o que inibe a ação e danifica a personalidade da criança. Uma atitude autoritária atinge e fere a moral de uma criança, por exemplo: punir uma criança porque sujou a roupa, quebrou algo, cometeu um ato inadequado, são atos que não podem ser transformados em problemas morais, pois pode ser resultado de um descuido ou mesmo um acidente. 

Uma criança não é má só porque cometeu uma ação inadequada, e também não é feia por isso. Nesse caso a criança necessita de orientação e correção através de uma metodologia, nunca de punição. Muitas vezes os pais têm competência e autoridade para castigar e até humilhar uma criança, mas não a tem para modificar o seu comportamento. 

A mudança de comportamento é fruto de uma metodologia adequada de correção que poderá ajudá-la a se tornar melhor e mais fortalecida para agir adequadamente. Em posse desse discernimento entre autoridade e autoritarismo, convido os pais a educar seus filhos com a verdadeira autoridade, onde o amor, o bom senso e a sabedoria sejam o norte que os conduzirão dentro da família, onde a bondade, a beleza e a justiça prevaleçam. Esse texto tem a assinatura de Maria de Lourdes Barduco, diretora do Centro Educacional Infantil Giordano Bruno de Curitiba-PR, e nos ajuda a refletir sobre nossas praticas como pais e professores.


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quarta-feira

Ensino médio piora em nove estados, aponta Ideb


Se os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011 indicam melhora na qualidade nos primeiros anos do ensino fundamental, os resultados não são animadores no ensino médio. Entre 2009 e 2011, o Ideb do ensino médio subiu apenas 0,1 ponto, passando de 3,6 para 3,7. A meta nacional esperada para o período foi atingida, mas em nove estados o índice piorou em relação à edição anterior. 

 O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, argumentou que “internacionalmente” o ensino médio continua sendo um “grande desafio” para qualquer sistema educacional. Ele defendeu que o currículo da etapa precisa ser reformulado porque é muito sobrecarregado. Em algumas redes de ensino, o total de disciplinas chega a 19. “É uma sobrecarga muito grande que não contribui para você ter foco nas disciplinas essenciais, como língua portuguesa, matemática e ciências”, disse.

 Outro problema do ensino médio, segundo Mercadante, é a falta de professores com formação específica para algumas áreas, como matemática e ciências, além da alta concentração de matrículas no turno noturno – 30% dos jovens do ensino médio estudam à noite. Vera Masagão, coordenadora-geral da organização não governamental Ação Educativa, aponta que o ensino médio é um nível subfinanciado. “A gente precisa de um investimento muito forte em qualidade e não é à toa que a matrícula também está aquém, poderia haver muito mais jovens matriculados no ensino médio que estão fora da escola”, disse. Mercadante não quis comentar os resultados dos estados que tiveram Ideb inferior ao registrado em 2009. “Uma mesma região tem estados e cidades que evoluíram muito mais que outros. 

Há especificidades, a gestão na ponta. O professor na sala de aula, o diretor da escola, o secretário municipal. Vamos olhar essa informação e tentar tirar lições para avançar”, disse. O ministro aposta que a educação em tempo integral pode ser uma “grande resposta” para melhorar a qualidade do ensino. Confira as notas dos estados no ensino médio:
 Rondônia Ideb 2009: 3,7 pontos Ideb 2011: 3,7 pontos Meta 2011: 3,5 pontosAcre Ideb 2009: 3,5 pontos Ideb 2011: 3,4 pontos Meta 2011: 3,5 pontos Amazonas Ideb 2009: 3,3 pontos Ideb 2011: 3,5 pontos Meta 2011: 2,7 pontos Roraima Ideb 2009: 3,4 pontos Ideb 2011: 3,6 pontos Meta 2011: 3,8 pontos Pará Ideb 2009: 3,1 pontos Ideb 2011: 2,8 pontos Meta 2011: 3,1 pontos Amapá Ideb 2009: 3,1 pontos Ideb 2011: 3,1 pontos Meta 2011: 3,2 pontos Tocantins Ideb 2009: 3,4 pontos Ideb 2011: 3,6 pontos Meta 2011: 3,4 pontos Maranhão Ideb 2009: 3,2 pontos Ideb 2011: 3,1 pontos Meta 2011: 3 pontos Piauí Ideb 2009: 3 pontos Ideb 2011: 3,2 pontos Meta 2011: 3,2 pontos Ceará Ideb 2009: 3,6 pontos Ideb 2011: 3,7 pontos Meta 2011: 3,6 pontos Rio Grande do Norte Ideb 2009: 3,1 pontos Ideb 2011: 3,1 pontos Meta 2011: 3,2 pontos Paraíba Ideb 2009: 3,4 pontos Ideb 2011: 3,3 pontos Meta 2011: 3,3 pontos Pernambuco Ideb 2009: 3,3 pontos Ideb 2011: 3,4 pontos Meta 2011: 3,3 pontos Alagoas Ideb 2009: 3,1 pontos Ideb 2011: 2,9 pontos Meta 2011: 3,3 pontos Sergipe Ideb 2009: 3,2 pontos Ideb 2011: 3,2 pontos Meta 2011: 3,6 ponto Bahia Ideb 2009: 3,3 pontos Ideb 2011: 3,2 pontos Meta 2011: 3,2 pontos Minas Gerais Ideb 2009: 3,9 pontos Ideb 2011: 3,9 pontos Meta 2011: 4,1 pontos Espírito Santo Ideb 2009: 3,8 pontos Ideb 2011: 3,6 pontos Meta 2011: 4,1 pontos Rio de Janeiro Ideb 2009: 3,3 pontos Ideb 2011: 3,7 pontos Meta 2011: 3,6 pontos São Paulo Ideb 2009: 3,9 pontos Ideb 2011: 4,1 pontos Meta 2011: 3,9 pontos Paraná Ideb 2009: 4,2 pontos Ideb 2011: 4 pontos Meta 2011: 3,9 pontos Santa Catarina Ideb 2009: 4,1 pontos Ideb 2011: 4,3 pontos Meta 2011: 4,1 pontos Rio Grande do Sul Ideb 2009: 3,9 pontos Ideb 2011: 3,7 pontos Meta 2011: 4 pontos Mato Grosso do Sul Ideb 2009: 3,8 pontos Ideb 2011: 3,8 pontos Meta 2011: 3,6 pontos Mato Grosso Ideb 2009: 3,2 pontos Ideb 2011: 3,3 pontos Meta 2011: 3,4 pontos Goiás Ideb 2009: 3,4 pontos Ideb 2011: 3,8 pontos Meta 2011: 3,5 pontos Distrito Federal Ideb 2009: 3,8 pontos Ideb 2011: 3,8 pontos Meta 2011: 3,9 pontos 
Por Ag. Brasil

domingo

Livres da culpa: o perdão como habilidade na escola e na vida

Há pessoas aprisionadas e amedrontadas dentro de si e que, dia a dia, tentam se acostumar com a ausência da liberdade e da paz. Há aqueles que se negam a dizer a verdade por medo da repreensão e, por isso, vivem amargurados e inseguros. Há aquelas que fogem dos próprios pensamentos, pois estes insistem em apontar fatos dos quais tentam se esquecer.

Há gente que não sabe o que é dormir tranquilamente, pois vive em meio a pesadelos com chances razoáveis de se tornarem reais. Contudo, se desde a infância fôssemos ensinados a dizer somente a verdade, talvez essas pessoas hoje estivessem, simplesmente, felizes.

Se tivéssemos aprendido a revelar - em vez de esconder - nossas fraquezas e se, com isso, não tivéssemos sido ridicularizados, talvez as clínicas médicas hoje não estivessem tão cheias de pessoas com enfermidades advindas de angústias do passado.

 Infelizmente, nem mesmo a escola conseguiu nos ensinar que a liberdade também depende da nossa coragem e disposição de nos enfrentar e de encarar as consequências dos nossos próprios equívocos. Ainda hoje há relatos de crianças que, quando tiram notas baixas, são acusadas, acuadas e, consequentemente, acometidas de um sentimento de inferioridade.

A partir disso, elas se acostumam, assim como nós, já adultos, a maquiar a verdade, a omitir fatos e a não confessar o erro, pois, aparentemente, é mais simples escondê-lo. Conhecedora de tudo isso, a escola pode fazer diferente. Pode, por exemplo, incentivar uma postura de autoconfiança nos alunos, de modo que entendam que são maiores que o erro e que, por isso, podem vencê-lo.

A escola não pode ser omissa quanto a esse assunto, não pode mostrar apenas um lado da moeda, não pode supervalorizar aquele que sempre acerta em detrimento daquele que tem uma postura inadequada. Na sala de aula, é preciso sensibilidade e clareza por parte dos professores para ensinar que se livrar da culpa e do engano, entretanto, não é tarefa fácil, pois não é unilateral. Há mais pessoas envolvidas e não é sempre que se pode contar com a compreensão delas.

 De qualquer modo, ou mesmo que haja poucas possibilidades de se obter o perdão e a compreensão de outra pessoa, é essencial que ele comece com a parte que, por um acaso, tenha errado em relação a alguém. O perdão, assim como tantas outras habilidades, é ensinado pelo exemplo e, por isso, o professor não pode trazer à memória erros que alunos tenham cometido em outras ocasiões na escola.

É necessário aprender que quando um aluno comete uma indisciplina, ele não é para sempre indisciplinado. Ele está ou esteve (estado passageiro) em indisciplina, pois, assim como qualquer um de nós, o aluno também precisa de pessoas que estejam dispostas a dar mais uma chance, a não desistir dele. Com isso, aumentam-se as chances de dias melhores e de nos envolvermos com pessoas que saibam confessar o erro, pedir perdão e, beneficiadas dele, sejam capazes de o fornecer sem mágoas e ressentimentos, ou seja, acreditando que tudo vai, de fato, melhorar.

 Por: Erika de Souza Bueno.

Reflita sobre o assunto!

quarta-feira

Qual o limite entre o dever médico e o direito do paciente?


No mundo jurídico, utiliza-se a máxima de que o direito de um começa quando termina o dever de outrem. Assim é, por exemplo, o direito de propriedade, limitado pelas cercanias daquele que possui a posse legítima da coisa. Se o dever de respeitar este limite for violado, nasce o direito do proprietário de defender a sua propriedade por todos os meios que lhe são legalmente assegurados.

 Em medicina, podemos dizer que o direito à informação do paciente é a cercania de sua propriedade mais valiosa, ou seja, a sua vida. Assim, nasce o seu direito de protegê-la até se esgotarem todos os esclarecimentos que o médico tem o dever de fornecer. Com isso, a todo dever médico corresponde um direito do paciente. Direito cada vez mais pleiteado nos tribunais de nosso País. Especificamente em cirurgia plástica, são constantes, infelizmente, os incidentes ocorridos nesta modalidade.

 O pior é que a base das ações judiciais movidas, em sua grande maioria, tem lastro no descontentamento com o resultado e a ausência de informações claras prestadas. Ou seja, poderiam, na maior parte das vezes, ser evitadas ou, ao menos, minimizadas. Dessa maneira, preocupado com o número crescente de processos-éticos espalhados nos Conselhos Regionais de Medicina do País e com a enorme demanda judicial frente a cirurgiões plásticos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução 1.711, de 2003, com dispositivos dos Princípios Fundamentais do Código de Ética Médica e diretrizes técnicas aos médicos. Contudo, em que pesem os esforços do CFM quanto ao reforço de que todo procedimento médico deva ser efetuado mediante esclarecimento e consentimento prévios do paciente e de que toda conduta pré-operatória deve ser a mesma adotada para qualquer ato cirúrgico, as demandas éticas e judiciais não cessaram. Como nova tentativa de minimizar os problemas ético-jurídicos decorrentes das cirurgias plásticas, a Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina, com a participação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, propôs ao Plenário do CFM a adoção do documento denominado “Normas Informativas e Compartilhadas em Cirurgia Plástica”, o qual foi aprovado por unanimidade e fará parte, em breve, do “Manual de Fiscalização” a ser elaborado. 

 A utilização desse novo formulário, disponível gratuitamente no site do CFM e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, visa não à substituição do Prontuário - cuja ausência configurar-se-ia em infração ao artigo 87 do Código de Ética Médica, nos termos: “É vedado ao médico deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente”, tampouco dos Termos de Consentimento já utilizados, mas à agregação de um novo instrumento à prática da boa conduta médica e à segurança do paciente. 

 Fortalece-se, com isso, a relação médico-paciente na medida em que esses instrumentos jurídicos tornam claros e precisos o limite entre o “dever médico” e o “direito do paciente”: procurando-se aprimorar essa relação e esgotar o dever médico em face do direito de informação do paciente, prevalecerá a segurança de ambos e de todos perante o bem público, que é o fim-último do Direito e da Medicina.
  Sandra Franco e Deborah Terrin.

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quinta-feira

Inclusão: do que estamos falando?


Sabemos que toda a criança portadora de necessidades especiais tem o direito à aprendizagem preferencialmente na rede regular de ensino e de receber todos os recursos necessários para que a aprendizagem se dê de maneira satisfatória em todos os seus aspectos. 

Há muito tempo, este é um direito disposto em lei. Em diversos documentos, como a Constituição Federal (1988), o Estatuto da Criança e do adolescente (ECA-1990), a Declaração de Salamanca (1994) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB-1996) encontramos disposições legais referentes à educação escolar de portadores de necessidades especiais. Estes documentos trazem claramente o dever do estado em disponibilizar aos educandos com necessidades especiais: a inclusão, através de educação escolar na rede regular de ensino; professores com especialização adequada para o atendimento especializado; currículo, métodos e técnicas para atender às necessidades especiais. 

No entanto, colocando todos esses direitos em prática e nos direcionando para a realidade da sala de aula nos perguntamos: “Do que realmente estamos falando?”. A inclusão educacional tem ocupado significativo espaço de reflexões em todo o mundo. Existem inúmeras e contraditórias formas de pensar e agir, no que diz respeito à educação inclusiva. Porém, uma coisa é clara: a inclusão deve ocorrer de maneira efetiva, física, cognitiva e socialmente, caso contrário, as crianças acabam vivenciando a escolarização como meras espectadoras, pois o processo de inclusão não se consuma de fato. 

Não basta incluir os alunos portadores de necessidades especiais em classes inclusivas uma vez que estes não participem do processo de interação em sala de aula e depois sejam direcionados ao atendimento especializado na sala de recursos da escola em turno inverso o da sua “aula regular”. É preciso que o educando participe de fato do processo educativo e das aulas propostas pelo professor. Portanto é preciso evidenciar os problemas em vez de evitá-los, pois só assim eles serão resolvidos.

 Se olharmos para a realidade educacional, encontraremos, muitas vezes, uma inclusão marginal, na qual os aprendizes estão inseridos fisicamente nas turmas do ensino regular, mas não conseguem participar das mesmas atividades propostas aos demais. Essa inclusão não é real, pois o aluno portador de necessidades especiais não se apropriará de conhecimento algum, ele apenas ficará anos e anos assistindo as mesmas aulas, sem que essas façam sentido algum e ele nem saiba o porquê de estar nessa situação. 

Desta forma, estar inserido em uma turma de educação inclusiva, não é mais algo prazeroso, que desperta expectativas do educando, e sim algo decepcionante e penoso, pois a cada ano se vê a promoção dos colegas de classe, enquanto o aluno portador de necessidades especiais está ali para cumprir algo puramente burocrático. Podemos comparar esse fato com o velho ditado de “tapar o sol com a peneira”. Nos termos da lei, a inclusão está funcionando, pois alunos com necessidades educativas específicas estão frequentando escolas regulares e tendo, teoricamente, um ensino proveitoso. Entretanto, a realidade é que esses alunos são deixados de lado dentro da sala de aula devido às peculiaridades deles. 

As salas de aula regulares possuem um ambiente rico em situações de aprendizagem e por isso possibilitam a alunos com necessidades especiais o desenvolvimento de habilidades de participação ativa nas atividades escolares. O grande desafio é como planejar e desenvolver práticas pedagógicas verdadeiramente inclusivas, de modo a atender a todos e a cada um, valorizando o trabalho da diversidade, entendida como um recurso, que proporciona novas experiências tanto ao aluno portador de necessidades especiais quanto seus colegas e professores que vivenciarão uma aprendizagem escolar diversificada. 

Pode-se imaginar quão rica pode ser a experiência de vivenciar a evolução da aprendizagem de determinado aluno ou colega com necessidades especiais.Talvez, a saída para o começo de uma transformação concreta na educação inclusiva esteja nos professores.

 Estes precisam entender que para que a inclusão ocorra de forma adequada e proveitosa é necessário que se encontre uma forma de interação entre esses alunos com dificuldades, o professor e os seus colegas, pois só assim, os alunos com necessidades de aprendizagem específicas passarão de alunos passivo e espectadores, para alunos ativos e reflexivos, capazes de participar ativamente da sociedade e exercer o papel de cidadão, capaz de tomar decisões, opinar, questionar, e principalmente, aprender.
  Ana Luisa Feijo Cosme. 
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sábado

Ler faz crescer


Ao contrário de anos anteriores, o debate sobre a educação formal, do ensino, e, especialmente da qualidade tem tido espaço na mídia, com destaque na imprensa. Todos apontam as causas da baixa escolaridade, os efeitos da má qualidade e os benefícios trazidos pelo bom ensino, mas o problema perdura.

Nem sequer o Brasil consegue extinguir o analfabetismo. A má qualidade e a baixa instrução do brasileiro, apesar de alcançar um bom espaço nos meios de comunicação, ainda deveria ter maior abordagem na imprensa e muito mais na televisão. Todo dia o Jornal Nacional fala dos índices das bolsas de valores, dos mercados e das economias mundiais, mas passa semanas sem falar de educação, que poderia ter definido como critério falar ao menos uma vez por semana, regra a ser seguida por todos os programas de televisão e de rádio. 

Tem aumentado o debate sobre o tema, e isso parece trazer uma certa acomodação às autoridades e à sociedade em tentar solucionar o problema de uma vez por todas. Mas, dentro da amplitude que é o tema educação, a leitura sofre de um descaso maior, que traz como resultado o pouco hábito de leitura ao brasileiro, em comparação aos países desenvolvidos. 

Pesquisa recente do Ibope mostrou a diminuição da leitura de livros em 2011, comparado com o ano de 2010, com uma piora do que já era ruim. De acordo com a pesquisa a redução da leitura foi medida até entre crianças e adolescentes, que leem por dever escolar. 

Em 2011, crianças com idades entre 5 e 10 anos leram 5,4 livros, ante 6,9 registrados no levantamento de 2007. O mesmo ocorreu entre os pré-adolescentes de 11 a 13 anos (6,9 ante 8,5) e entre adolescente de 14 a 17 (5,9 ante 6,6 livros). Para estimular a leitura, uma das boas iniciativas do governo federal foi aprovar a Lei 12.244 em 2010 com previsão obrigatória de uma biblioteca em toda escola.

 Como parte dos defeitos que fazem perdurar os problemas, a lei é frouxa ao permitir que essa obrigação seja cumprida no prazo máximo de 10 anos. Apesar de serem poucas as iniciativas oficiais de incentivo à leitura, o problema se agrava pela omissão da iniciativa privada, por não apresentar nenhuma ação incentivadora. 

O Banco Itaú se torna uma ilha de exceção nesse mar de omissão. Por ano, o banco vem fornecendo uma coleção de 3 a 4 livros infantis gratuitamente. Os livros são entregues no endereço fornecido pelo solicitante, já com todas as despesas de correios pagas. O objetivo desse texto é exatamente levar expandir o conhecimento dessa medida, pois falta uma divulgação mais ampla. 

Para fazer o pedido, gratuitamente, basta acessar o site que dá título a este texto: www.lerfazcrescer.com.br e clicar sobre o ícone “peça sua coleção”. Como diz uma frase no mesmo site, a cada livro, o Brasil inteiro vira uma página.

Por Pedro Cardoso da Costa.

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Início de ano letivo conturbado: Culpa de quem?



Não se pode admitir que um governo inicie o ano de trabalho sem saber o que tem a oferecer à população, seja ela federal, estadual ou municipal, especialmente quando se trata de área considerada de máxima importância.

Há muitos anos estamos convivendo com um problema que parece ser crônico: a falta de professores nas escolas, a cada início de temporada.

O que acontece com o Estado? Será que o governo, através da sua secretaria competente, não sabe quantos profissionais possui na área de educação?

Não existe tempo para garantir, a partir da matrícula dos alunos, a necessidade existente para suprir cada escola, em cada município, ao ponto de algumas escolas não conseguirem funcionar em algumas áreas pela inexistência de professores?

Esse não é um fato novo, vem se repetindo durante muitos anos no Rio Grande do Sul, trazendo sensível prejuízo aos alunos, além da natural preocupação aos pais, que acreditam seus filhos dentro de uma sala de aula, mas que, na verdade, ali não estão porque inexiste a mestra (ou o mestre) para ministrar ensinamentos
.
Quando a burocracia governamental era movida a lápis e montanhas de papéis, se poderia dizer da dificuldade para maior conhecimento quanto às condições de suprimento do corpo de professores no Estado ou Município, mas hoje, em plena era do computador, onde tudo é possível, bastando acionar um botão para, em alguns segundos, se tomar conhecimento da necessidade de cada escola quanto ao efetivo de professores, com a devida antecedência, considerando o número de alunos matriculados, isso não poderia acontecer.

É preciso uma longa e angustiante espera de alguns meses, para a normalidade no ensino, que em verdade não existirá, pois terá que ser elaborado um calendário especial para recuperação das aulas que deixaram de ser realizadas no tempo devido.

Natural que possam existir problemas setorizados, quando se trata de uma área composta por vários milhares de profissionais, espalhados por todo um estado, muito embora esse efetivo esteja dividido por municípios o que, em tese, deveria facilitar o controle. No entanto, o que é difícil engolir é que uma única escola possa contar com a ausência de professores para várias matérias.

O Estado não conta com professores concursados a espera de nomeação? Não é possível essa nomeação ser feita em tempo de utilização do profissional, tão logo notada a necessidade de suprimento de vaga na área que está acusando falta de professores? Se essa é a dificuldade, o Estado não deveria concursar e nomear professores que possam ficar em condições de serem usados de maneira imediata, evitando que em todo início de ano, o problema seja sempre igual?

Talvez as autoridades responsáveis pelo setor tenham explicações razoáveis para esse crônico problema, mas, para os leigos, são fatos gritantes que não deveriam acontecer. Tem que haver uma maneira de começar o ano educacional sem nenhum, ou com um mínimo de problemas a serem sanados, oferecendo assim condições para o perfeito funcionamento do sistema educacional.

E o que falar da tal “matrícula on line” onde as escolas perderam a autonomia de fazer diretamente a matrícula de seus alunos. Absuro!

Por Moacir Rodrigues

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terça-feira

Por que sempre voltamos a falar em Educação?



"Livre, livre. Meus olhos seguirão ainda que meus pés parem". Lembro que estas foram as últimas palavras que deixou escritas Jokin Zeberio, de 14 anos, antes de arrojar-se ao vazio com sua bicicleta, do alto da muralha de Hondarribia, Espanha, em setembro de 2004.


Jokin vinha sofrendo agressão de seus colegas havia anos. As contínuas ameaças, humilhações, insultos, pancadas, surras, o fizeram sofrer e o levaram à morte. Na época o feito fez soar o alarme social político e educativo, e gerado muitos debates sobre o que caracterizamos atualmente como Bullying, que antes de mais nada é uma palavra inglesa que significa intimidação.

É obvio que antes de qualquer análise temos dois grandes problemas que nos tempos atuais deveremos enfrentar. Temos pais que trabalham fora e não tem mais tempo de acompanhar as atividades dos filhos e sem contar com tantos outros que tem pais separados e não podem contar com a educação bilateral, estes muitas vezes ( ainda bem) alavancados pelos avós mas que carecem de apoio familiar.Isso resulta numa grande pressão pela evasão escolar e quando tenta se reverter a situação simplesmente aceita-se os equívocos dos alunos e promovem-no sem uma devida formação para a série imediatamente superior.

Evidente que a reprovação de um aluno é algo temeroso, que tem repercussões negativas que ultrapassam sua vida escolar. Assim como o peso do fracasso e o estigma de repetente podem reduzir suas chances de aprendizagem, também sua personalidade pode ser afetada.


Em conseqüência da reprovação, o aluno pode desenvolver um conceito negativo que o leve a abandonar os estudos; todavia tem de ser analisado caso a caso, considerando os conceitos iniciais de esperança e amor; ditos claro no sentido mais amplo da palavra.

Não podemos esquecer que os fins da educação indicam os rumos da ação educativa, os princípios básicos que irão norteá-la, tendo presente o verdadeiro sentido da existência humana. Enquanto a ciência avança é dever da educação proporcionar o instrumento necessário para acompanhar essas transformações, despertando o ideal de busca, da pesquisa e da atualização constante. O pleno desenvolvimento do educando supõe uma educação integral, que considere o homem não só como indivíduo, mas também como participante de uma sociedade.

A escola tem hoje, com justa razão, a preocupação de conquistar o apoio da comunidade, considerando-o relevante para uma atuação eficaz.

Estamos vivendo um novo tempo da educação brasileira com imensos desafios a serem enfrentados com determinação e espírito crítico. Ou seja, os pais têm de participar da vida escolar de seus filhos. Não podemos mais esperar melhoras se cada família não traz para si a responsabilidade de que aquela criança será o futuro cidadão ou um futuro amante da criminalidade.


Então vamos todos participar. Se percebeu que seu filho caminha descompassado, não aprende, não participa ou está indo para um caminho tortuoso ou sem luz; apresente-se, oriente-se a você mesmo e aos seus pares, assim pais, professores e comunidade em geral, estaremos finalmente recuperando a esperança no amor através da educação. Não vejo outro caminho!


Prof. Rosildo Barcellos.

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domingo

A lei é para todos. Ou não?




Faz muito tempo que ouço falar que é necessário investir em educação pública no Brasil, e isto passa também por uma valorização salarial do magistério.

O discurso é repetido, principalmente, em períodos eleitorais.

É sempre a mesma história, enquanto candidatos às promessas são abundantes em soluções para o sistema educacional como um todo, assim como a questão salarial do magistério especificamente. Mas agora, o que está acontecendo no estado do Rio Grande do Sul extrapola todas as falsas promessas de compromisso com a educação e com os professores gaúchos.

Enquanto ministro da Educação, Tarso Genro foi um dos responsáveis pela Lei do Piso Nacional do Magistério, já como ministro da Justiça, fez questão de assinar a lei 11.738 e, como governador, dirigiu-se ao Supremo e declarou ser contra a ação de inconstitucionalidade (Adin) impetrada pela então governadora Yeda e outros governadores.

Considerada pelo Supremo uma lei constitucional está em plena vigência e precisa ser aplicada por governadores e prefeitos, pois a sua implantação significa não a redenção salarial do magistério, mas sim o começo de um resgate salarial dos principais agentes da educação. Saliento, é apenas um início, pois o Piso ainda o é insuficiente para quem deseja um sistema educacional de qualidade e com profissionais bem remunerados. Apesar de tudo isto, abordado até aqui, o governador Tarso Genro não pagou o piso salarial.

Descumprindo a palavra dada à categoria no período eleitoral, trata os professores como pessoas ingênuas. Tarso Genro oferece uma proposta ignorando o artigo quinto, parágrafo único da Lei 11.738, que estabelece como o indexador para os reajustes anuais os índices do Fundeb. Diz o governador que é contra este indexador, emenda do senador Cristóvão Buarque.

Defende o INPC com o indexador, mas a lei estabelece o índice do Fundeb. Em números redondos em 2012, o índice do INPC ficou em 6%, e o índice do Fundeb em 22%. Esta diferença é a essência da Lei 11.738.

Só desta forma será possível recuperar os salários dos professores em alguns anos. O índice do Fundeb possibilita um ganho real, enquanto o índice do INPC apenas corrige as perdas inflacionárias. E, agora, para arrematar, Tarso Genro está falando em contestar a constitucionalidade da lei, que fez e assinou, mas que o senador Cristóvão Buarque teve a coragem de aprovar uma emenda democraticamente contando com os votos da maioria.

Tarso Genro atenta contra o Estado de Direito, ignora os princípios básicos da convivência democrática e ofende a inteligência da população do Rio Grande do Sul.

Por: João Barcellos.
Professor de História e mestre em Educação Ambiental.

''FAÇA SEU POLÍTICO TABALHAR. COMO???NÃO VOTE MAIS NELE!!!"

quarta-feira

Para onde vai nosso ensino?



Estamos num ano de eleições e a partir de agosto começa a campanha eleitoral. Não sou adivinhador, não jogo búzios, não me baseio em bola de cristal, nem acredito em horóscopo, mas, posso dizer com certeza que as três palavras mais utilizadas pelos candidatos será educação, saúde, emprego e segurança. São as grandes preocupações do cidadão. Então, uma vez no palanque, “prometa aquilo que o povo espera”.

O problema está na chegada ao poder, seja nas prefeituras, governo de estado ou governo federal. De maneira geral, não há uma política de desenvolvimento do ensino, diante da nova e dinâmica realidade que vivemos. O desenvolvimento extraordinário das comunicações e do acesso a informática, gera alunos completamente diferentes daqueles alunos do passado. A estrutura familiar atual, em que pai e mãe trabalham, também afeta a educação inicial das crianças, a fase mais importante de nossas vidas. Além dos graves e crescentes problemas de drogadição na sociedade.

Portanto, o poder público deveria proporcionar todos os meios possíveis para que a escola ofereça mais do que muitas crianças já tem acesso em suas casas ou no convício social, como computadores, internet, televisão, etc.

Uma vez no poder, a educação deixa de ser prioridade. Falta de escola, escolas em péssimas condições de funcionamento, salário de professor não é prioridade, como o cumprimento do Piso Mínimo, definido pelo governo federal. Mas, não há nenhum constrangimento em aumentar o salário dos cargos de confiança, destinados aos companheiros de partido. A pedagogia dominante é a de minimizar o conteúdo, retirando o direito maior do aluno, que é a construção do conhecimento. É estéril a idéia da prioridade na socialização, sem os conhecimentos básicos da língua pátria, matemática, ciências naturais e sociais, etc.

O resultado é um desempenho muito ruim do ensino público, fundamental ou médio, com raras e honrosas exceções. Aqui no Rio Grande do Sul, o Colégio Farroupilha, criado pela Brigada Militar é um exemplo de ensino de qualidade. E, é uma escola pública. Ainda bem, que esses colégios estão se expandindo no RS, ao contrário de épocas em que seu crescimento foi limitado por políticas do governo do estado. A dúvida é: por que todas as escolas públicas do estado do Rio Grande do Sul não adotam o bem sucedido projeto do Colégio Farroupilha?

Temos muitos exemplos no mundo, de países sub-desenvolvidos, que em poucos anos se tornaram potências em setores de alta tecnologia, como por exemplo a Coréia, o Japão, dentre outros. A base é um ensino público de qualidade. Na Alemanha, praticamente todo o ensino é público, com alta qualidade. Há opções de escolas privadas, geralmente confessionais, escolhidas por outras razões, não apenas a qualidade do ensino.

Especialistas internacionais olham com muita surpresa nosso modelo de ensino. As famílias ricas, colocam seus filhos na escola privada para garantir um ensino de melhor qualidade. O objetivo maior é que seus filhos conquistem as vagas das boas Universidades Públicas brasileiras. E, lá estudam de graça. É muito mais barato pagar a escola do ensino fundamental, ensino médio, cursos de inglês e cursinhos preparatórios para vestibular, do que pagar uma Faculdade particular de qualidade. Quem não tem recursos financeiros, não tem outra alternativa a não ser colocar seus filhos nessa frágil escola pública. Pela baixa qualidade, poucos conseguem aprovação nas Universidades públicas. Então, sobra a o ensino superior privado, caro e muitas vezes, também de baixa qualidade. Algumas, verdadeiras fábricas de diplomas e não de formação.

O reflexo desse modelo é observado no desempenho dos alunos em provas internacionais, onde figuramos nos últimos lugares entre os países avaliados. Na última viagem do presidente Barak Obama ao Brasil, ele teria indagado a Presidente Dilma, sobre o pequeno número de estudantes brasileiros cursando pós-graduação nos EUA. Enquanto tem mais de 200 mil estudantes Chineses, 150 mil Coreanos, o Brasil tem aproximadamente 7 mil estudantes nos EUA. Por isso, a Presidente Dilma, determinou a criação, em caráter de urgência, de um Programa de estímulo a pós-graduação no exterior, denominado Ciência sem Limites. Ela queria que o programa prevê-se, até o final de seu governo, que 150 mil estudantes fizessem cursos de mestrado e doutorado no exterior. A comissão criada viu todas as dificuldades e baixou para uma previsão de apenas a metade, ou seja, 75 mil bolsas, realidade atual do programa.

Pois, apesar dessas bolsas a disposição, elas não serão preenchidas. Simplesmente, por que o estudante brasileiro não tem competitividade com os estudantes de outros países. Essa é nossa triste realidade, resultado da “Pedagogia do facilitário”, implantada no Brasil de leste a oeste, norte a sul, onde métodos científicos são substituídos por questões ideológicas. Nesse contexto está determinação de que nas escolas públicas do RS não haja mais reprovação até a terceira série. É cômodo e simpático aprovar sem conhecimento. E, o prejuízo para o resto ad vida de um cidadão aprovado sem conhecimento?


por Elmar Luiz Floss.

sexta-feira

Carnaval e cerveja...



O Carnaval se constitui em um dos fortes pilares da cultura brasileira e, paralelamente, uma fonte espetacular de promoção do turismo verde e amarelo. Tanto assim que, no período dedicado ao Rei da Folia, portos e aeroportos, especialmente, tornam-se pequenos para receber as levas de turistas do mundo inteiro que aqui chegam para lotar os sambódromos do Rio de Janeiro e São Paulo, assim como as ruas de Salvador, Recife, Olinda, Porto Alegre e tantos outros centros que exibem as baterias de suas entidades, o gingado de cadeiras de suas morenas, a exuberância das rainhas de baterias, as tradicionais alas de baianas e, enfim, a cadência de um ritmo que somente o Brasil sabe fazer.

Apontamos os chamados grandes carnavais, mas, certo que em todos os cantos do País, todos mostram o que sabem fazer em matéria de samba no pé, em ornamentação e na atração de público, capaz de passar toda uma ou mais noites sem dormir para festejar a passagem da sua entidade preferida.

O período é, por assim dizer, uma maneira de tirar o povo do sério, fazer com que ele esqueça o dia seguinte, quando terá pela frente a dura jornada de trabalho e mais todo um ano pela frente, até que a festa retorne e, então, possa, novamente, exibir-se na avenida ou cantar o samba-enredo na arquibancada.

Esse é o Carnaval que gostamos de ver e aplaudir.
Infelizmente, muitos são os que, mais do que nunca, aproveitam-se do Carnaval para realização de atividades destrutivas, como comércio de drogas, assaltos, arrombamentos, roubos e o "encher a cara e sair para o asfalto", atrás de um volante sem pensar nas terríveis consequências do ato que está praticando.

Natural, pensam muitos, que beber uma cerveja ou outras bebidas alcoólicas, "puxar um baseado ou cheirar uma carreirinha" é positivo como motivação, dando aquele "embalo" de alegria que o Carnaval exige, mas esquecem-se de que, além do mal que provocam ao próprio corpo, ao final do baile ou das festa de rua, acontece o regresso para as casas e, aí, tudo se torna dúbio, pela falta de condições de dirigir e de ter uma família ao lado, ou mesmo, de zelar pela vida daqueles que saíram somente para buscar diversão e que, muitas vezes, ficam impedidos de voltar ao lar pela irresponsabilidade de outros.

O Carnaval, cujo objetivo é promover alegria popular, como uma festa pagã, tem se destacado pelo alto índice de acidentes e de crimes, que enlutam milhares de famílias a cada ano.

Aproveite o período e "vire criança"; pule, brinque, solte a voz embalado pelo sabor do samba, mas, antes de sair de casa, faça uma reflexão para conscientizar-se que Carnaval e álcool jamais formarão um casal perfeito.

Por Moacir Rodrigues.

Pense bem. Divirta-se com responsabilidade...

domingo

O PROFESHOW E O PROFECHATO




Atualmente o tema educação e o processo de ensino-aprendizagem tem sido amplamente discutido em diversos meios de comunicação. Metodologias, materiais didáticos, integração da família na escola, capacitação de professores, são assuntos frequentemente abordados.

Quando vemos alguma informação ligada a educação, vez ou outra nos recordamos de alguns professores que tivemos em nossa vida escolar. Do fundamental até o ensino médio, na graduação ou na pós-graduação, vários foram os profissionais que estiveram lecionando na sala de aula onde estávamos matriculados.

Alguns deles nos lembramos pelo companheirismo, outros pela rigidez na condução do conteúdo, uns pela excelente didática e outros pela total ausência dela.

O curioso é que normalmente nos lembramos daqueles que foram excelentes professores e, também, dos que foram péssimos. Raramente nos lembramos dos professores medianos.

Isso porque ficam guardadas em nossa memória as experiências que se diferenciam das nossas expectativas, ou seja, aquelas que foram positivamente além daquilo que imaginávamos e, da mesma forma, temos facilidade de registrar aquelas que ficaram aquém.

Por que alguns professores conseguem envolver seus alunos na compreensão dos conteúdos, na discussão e participação em sala de aula e outros não? O que caracteriza esse professor considerado bem-sucedido? De qual natureza são os recursos internos de que dispõem os educadores e que desenham sua competência?

Educar pessoas não é uma tarefa fácil, e a profissão de educador é uma das mais desafiadoras e exigentes. O relacionamento com o aluno, lidar com a sensibilidade e a curiosidade da criança, a inquietude e o dinamismo da juventude, a transformação de saberes e a internalização de valores educativos, são atividades que exigem profissionalismo, preparação e amor pela educação.

Tenho feito várias palestras para professores em semanas pedagógicas, seminários, congressos de educação, e este contato tornou-me profundo admirador daqueles que escolheram a educação como profissão. De uma forma geral percebemos que virou moda “desacreditar” da profissão de professor, vemos até mesmo professores falando mau de seu próprio ofício. Porém tenho visto professores que dão um verdadeiro show de desempenho em sala de aula.

Para estes dou o nome de PROFESHOW!
O Profeshow é aquele que ama sua profissão, é pesquisador, movido por desafios e pela necessidade de aperfeiçoamento contínuo. Propicia aos seus alunos oportunidades de construção e reconstrução do conhecimento, fundamentado no aprender a aprender, no aprender a pensar, no aprender a ser, no aprender a conviver, como formas para ampliação da compreensão do mundo.

O Profeshow inova em sua metodologia, entende que não existem trinta alunos em sua sala, mas sim trinta pessoas, e que cada indivíduo necessita de estímulos diferentes para que ocorra o aprendizado. O Profeshow é motivado e motivador, inspirado e inspirador em suas atitudes. Excelente comunicador, ele sabe que é preciso conquistar a atenção, o respeito e a admiração.

O Profeshow fez a escolha pela área de educação, ele é “professor na plenitude da palavra”, dedicando-se a fazer o melhor pelos seus alunos, pela sua escola, colegas de trabalho, pela sociedade e pela sua profissão.

Por outro lado, temos o PROFECHATO. O perfil do Profechato é exatamente o contrário do Profeshow. Está sempre de mau humor, critica sua profissão, completamente sem entusiasmo, encara o dia a dia do seu trabalho como um árduo fardo a ser carregado. Suas aulas são monótonas, sem conteúdo e sem vida. Aliás, vida é tudo o que falta para o Profechato.

Dizem que a nossa vida é feita de escolhas. Qual é a sua escolha? Ser um Profeshow ou um Profechato?


Pense nisso e afine-se para o sucesso!

Por Fabiano Brum